sábado, 5 de janeiro de 2008

Um pequeno “olhar” sociológico sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Um pequeno “olhar” sociológico sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Graciliano Ramos, alagoano de Quebrangulo (micro-região de Palmeira dos Índios/Agreste), romancista famoso e escritor meticuloso, publicou a obra Vidas Secas em 1938, sendo considerada por muitos a sua maior obra.

Trata-se de uma narrativa em que o autor utiliza do discurso indireto livre para contar sobre a saga de uma família de retirantes na caatinga nordestina do Brasil. Seria mais uma história de retirantes? Seria apenas um conto sobre um punhado de pessoas e seu sofrimento?

É interessante como “mestre Graça” sai narrando os devaneios e infortúnios de Fabiano e sua família, na busca de um lugar para se abrigar da seca que castigava (e ainda castiga) o nordeste do Brasil. Nas entrelinhas do romance podemos observar um “olhar” questionador sobre as instituições tais como o Estado, a Polícia, a Religião – que compreendida na ignorância torna-se um meio de convencimento para as causas de tanto sofrimento. Podemos observar um grito pelo povo e por seu sofrimento, pela falta de Educação (com letra maiúscula mesmo).


Graciliano, deixa transparecer claramente que o maior sofrimento, entretanto, não está simplesmente com a falta de recursos que a seca impõe. O maior sofrimento está na impossibilidade de gritar pelos direitos que se tem, já que a falta de palavras impede qualquer tipo de diálogo. E isso está registrado claramente na falta de comunicação entre os personagens: não há comunicação quando se faltam palavras, quando as palavras não foram compreendidas, ou aprendidas... Fabiano deseja ver seus filhos na escola... quem sabe para aprender as palavras e não ser submisso aos “amarelos” (policiais aqui entendidos como qualquer força dominante e opressora que faz uso da ingenuidade e da ignorância do pobre iletrado...).


É, parafraseando mestre Graça, quem não sabe falar não tem como reclamar...

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