terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Um “olhar” teológico sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Graciliano Ramos escreveu e publicou sua obra Vidas Secas na década de 30 (Um tempo conturbado historicamente). O papa era Pio XI e Palmeira dos Índios não era ainda sede episcopal. Só foi erigida diocese em 1962 pelo papa João XXIII (sendo seu 1º bispo Dom Otávio B. Aguiar).

A religião na Zona da Mata alagoana concentrava-se num padrão de obediência às leis eclesiásticas. A figura do sacerdote era sempre uma presença significativa na vida cotidiana do povo, mas não havia espaço para a participação ativa do laicato na dinâmica religiosa (o que só foi iniciado de forma mais evidente em meados da década de 70).

O que prevalecia era uma forte religiosidade popular, e que podemos perceber nas linhas e entrelinhas de Vidas Secas, e podemos tomar como exemplo as várias vezes que Graciliano refere-se ao Rosário pendurado no pescoço de Sinhá Vitória.

A religiosidade popular é composta de vários elementos, tais como: grande devoção aos santos e a Virgem Maria, obediência eclesiástica e uma fé quase mítica, já que a carência de formação educacional impõe a falta de conhecimento de uma fé baseada nas Escrituras Sagradas, na Tradição e no Magistério Petrino.

Apesar de ser uma das grandes bandeiras de alguns clérigos e movimentos pastorais cotidianos, a pobreza vivenciada por Fabiano e sua família não é apresentada com conotações sócio-religiosas ou pseudo-sócio-religiosoas. Graciliano não se vale dessa questão e também não se refere a fé ou a Igreja Católica de uma forma direta. Esse não foi seu objeto intencional.

No desenrolar da história mestre Graça não se refere, em nenhum ponto, ao protestantismo (pouco difundido no Brasil nesta época). As referências religiosas são sempre de conotação católica, o que se faz – na maioria das vezes – pontuando uma moral preconizada pela Igreja Católica.

Vamos ao texto? Tomemos o capítulo Festa... “como tinha religião, entrava na Igreja uma vez por ano... Não se arriscaria a prejudicar a tradição, embora sofresse com ela. Supunha cumprir um dever”. (p. 75 e 76). – O que se observa é um entendimento da religião como um DEVER, como uma OBRIGAÇÃO... O sentido central da fé (o encontro pessoal com Jesus Cristo) não é comentado por Graciliano.

Sabendo que esse é apenas um olhar, uma pequena observação sobre um grande universo, podemos ir completando as nossas observações e nossos apontamentos sobre esta grande obra.



(Em destaque foto da Catedral de Palmeira dos Índios)

4 comentários:

Francisco disse...

Fé mítica? Ou cega? Bem, não faz diferença. O que me contraria e entristece é saber que nos dias de hoje os conceitos morais cristãos ainda continuam sendo ditados, em sua maioria, pelas mesmas vias de outrora, ou seja, vias que fazem questão de permanecer com o conhecimento velado, o que é uma pena.
Qualquer outra vertente religiosa que busque esclarecer o sentimento religioso, no sentido de desmistificá-lo; libertá-lo do MISTÉRIO, ou ainda do SOBRENATURAL, é demoníaco.
Não existe espaço para a fé raciocinada, pois a IGNORÂNCIA ainda é a maior fonte de adeptos para esses cultos que prezam pela quantidade.

Joyce disse...

Professor Fernando, acabei de visitar o seu blog, li os artigos sobre " Vidas Secas ", e as dicas como se faz um portfólio ajudarão muito a construí-lo, obrigada, beijos,

Joyce.

Murilo disse...

Professor Fernando tem agumas palavras que não sabia o significado, mas deu para entender os dois textos que você postou no blog.

Anônimo disse...

Professor Fernando, acabei de entrar no seu blog e li os artigos sobre ''vidas secas''.

Tem algumas palavras que eu não entendi o significado, tipo: o que é fé mítica?

Mas no todo eu adorei seu comentário sobre os artigos
'vidas secas'.

Beijos, Jamile do 6º ano "B".