terça-feira, 6 de outubro de 2026

Quando o mapa fica maior que o território: repensando os registros na pesquisa cartográfica

Na pesquisa Cartografia da transformação digital e da educação híbrida nas redes públicas brasileiras, chegamos a um momento importante. Até aqui, o Miro foi nosso principal espaço de registro: nele fomos dispondo categorias, notas, trechos de documentos e conexões entre elementos que emergem do campo da Rede de Inovação para a Educação Híbrida (RIEH). A imagem abaixo mostra o estado atual desse mapa, e ela fala por si. A quantidade de nós, post-its e linhas de relação cresceu tanto que a leitura se tornou praticamente inviável. O mapa, que deveria nos ajudar a ver, começou a esconder.

Isso nos levou a uma nova discussão: que softwares podem nos ajudar a organizar os dados e, ao mesmo tempo, contribuir para o processo de análise? Não queremos apenas um lugar para guardar informações. Queremos ferramentas que nos ajudem a acompanhar fluxos, perceber relações e fazer emergir aquilo que ainda não estamos enxergando.

Ontem e hoje fiz alguns testes exploratórios. Experimentei o Obsidian, que trabalha com notas interligadas e permite visualizar as conexões entre elas em forma de grafo, algo que dialoga bastante com a lógica rizomática da cartografia. Testei também o Gephi, voltado para análise e visualização de redes, que abre possibilidades interessantes para examinar a densidade e a centralidade das relações que estamos mapeando.

Fiz ainda um teste com inteligência artificial, usando o Claude para transformar as transcrições de algumas entrevistas em um corpus compatível com o IRaMuTeQ, e o ChatGPT para gerar um gráfico de similitude a partir desse material. Foi apenas um exercício, para entender o que essas ferramentas podem oferecer (e quais cuidados exigem), mas já nos deu pistas sobre caminhos possíveis para a análise lexical.

Olha só como ficou o resultado:


O próximo passo é discutir com o grupo quais caminhos, softwares e procedimentos vamos adotar. E aqui está algo que considero central: essa discussão não é uma etapa "técnica" separada da pesquisa. No método cartográfico, não há um caminho pré-definido que apenas executamos. O próprio percurso vai traçando suas metas. Pensar como produzimos, registramos e armazenamos os dados também é parte da investigação, porque as ferramentas que escolhemos moldam aquilo que conseguimos ver.

E assim segue o processo cartográfico: mapeando o campo e, ao mesmo tempo, mapeando a nós mesmos enquanto pesquisamos.

Se você já trabalhou com alguma dessas ferramentas, ou com outras, em pesquisas qualitativas ou de métodos mistos, compartilhe sua experiência nos comentários. Toda contribuição é bem-vinda!

p.s.: como o projeto prevê a exclusão de dados sensíveis e o respeito à LGPD, as transcrições usadas no teste foram anonimizadas antes de passar pelas IAs.

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