sábado, 24 de outubro de 2026

O que a RIEH vem ensinando sobre educação híbrida?

Diário de pesquisa. Sábado, 24 de outubro de 2026

A manhã deste sábado foi dedicada a incluir no mapa da pesquisa as observações da visita ao Núcleo de Inovação para Educação Híbrida do Distrito Federal. 

Mas antes de seguir, vamos dar uma olhada em duas imagens? Observe e analise o que vê:



Minha intenção não é que agora possamos discutir o que se pode ler nas imagens acima. Ao comparar os primeiros registros com o mapa de hoje (segunda imagem), o crescimento é visível. Começamos com três territórios: o Observatório, o Núcleo de Maceió e o Núcleo de Arapiraca. Agora há núcleos de diferentes regiões do país, conectados por uma rede densa de relações. Podemos ficar até impressionados com a evolução do mapa, entretanto o mais importante, porém, não é o tamanho, mas o que ele permite enxergar: o conceito de educação híbrida está sendo ressignificado na prática das redes públicas.

A Resolução CNE/CEB nº 2/2024 define a educação híbrida como a integração entre atividades presenciais e não presenciais. Essa integração é mediada pelo planejamento docente, apoiada pelas tecnologias digitais e voltada à ampliação de tempos e espaços educativos. É uma definição importante. Nos territórios, no entanto, ela não chega pronta: é interpretada, tensionada e reconstruída. E isso a pesquisa está trazendo elementos significativos para esta interpretação.

Nos primeiros registros, uma tensão já aparecia com força: a concepção de educação híbrida ainda não estava definida. Muitos núcleos eram entendidos como estúdios de gravação, com câmera, iluminação e aulas transmitidas. Nessa leitura, o híbrido se reduz ao equipamento e ao formato remoto, como uma herança direta do período pandêmico. Essa compreensão persiste e aparece em vários territórios, junto com outros limites: infraestrutura, contrapartidas que nem sempre se efetivam e núcleos instalados em espaços pouco visíveis. São as linhas mais rígidas do mapa, aquilo que insiste e se repete.

À medida que novos territórios entraram no mapa, incluindo agora o Distrito Federal que foi visitado na semana passada, outra compreensão foi ganhando corpo. Em diferentes redes, o núcleo deixa de ser apenas um lugar de produção de conteúdo e passa a ser um espaço formativo. Isso vimos na primeira visita que realizamos, no Núcleo de Maceió, e foi se revelando em outros Núcleos.

É neste espaço, é nos Núcleos, que professores, gestores e articuladores se encontram, experimentam e planejam juntos. A formação de articuladores que formam outros professores, a construção de planos próprios de implementação e as adaptações locais à proposta nacional mostram um conceito em movimento. Ele deixa de ser modalidade de oferta e se torna uma forma de organizar o trabalho pedagógico.

Em alguns territórios aparecem ainda indícios de algo mais. O híbrido começa a ser entendido como um modo de habitar a escola. Isso inclui reconfigurar tempos e espaços, aproximar a comunidade e criar percursos formativos contínuos. Essas são as linhas mais frágeis do mapa, mas também as mais promissoras, porque apontam para usos que nenhum documento previu.

O que a pesquisa vem mostrando, portanto, é um deslocamento:

  • do híbrido como tecnologia para o híbrido como prática pedagógica;
  • do híbrido como mistura entre presencial e remoto para o híbrido como ampliação de tempos e espaços de aprender;
  • do núcleo como estúdio para o núcleo como território formativo.

Esse deslocamento não é linear nem homogêneo. Convive com resistências, com estruturas que pesam e com concepções que ainda disputam espaço. É justamente aí que está a contribuição da RIEH: ao exigir que cada rede construa seu plano a partir do próprio contexto, ela abre espaço para que o conceito de educação híbrida seja reinventado a partir do chão da escola pública brasileira.

O mapa, construído com base no método cartográfico, tem sido nosso instrumento para acompanhar esse processo. Ele não serve para fixar uma definição, e sim para perceber como ela se transforma. A cada nova visita, a compreensão se amplia.

Bem, antes de concluir, retomo o que registrei aqui no blog no começo do mês (06/10), quando escrevi "Quando o mapa fica maior que o território: repensando os registros na pesquisa cartográfica". Hoje, como uma alternativa, ajustei o mapa em frames, usando o próprio Miro... talvez seja uma resistência minha àquilo que a pesquisa me apresenta, e então busco colocar as coisas em caixinhas. 

Seguimos cartografando. E neste processo, também eu vou me reinventando.

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