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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Dicas práticas para planejar e utilizar um diário de bordo em pesquisa

Vamos ao tema do diário de bordo mais uma vez?

É que muitas vezes, orientandos (estudantes da iniciação científica, graduandos em fase de TCC, mestrandos ou doutorandos) me perguntam como fazer um diário de bordo. As orientações que apresento não constituem um manual ou conjunto rígido de regras, mas sim um conjunto de dicas construídas ao longo do tempo, resultado de minhas próprias experiências, reflexões e tomadas de decisão no uso constante desse instrumento. Trata-se, portanto, de um compartilhamento de práticas que têm me acompanhado na pesquisa e que podem servir de inspiração para quem deseja iniciar ou aprimorar seu próprio diário de bordo.

Aqui vão 10 dicas práticas para planejar e utilizar um diário de bordo em pesquisa:

1. Defina o propósito e o formato do diário desde o início

Antes de começar a escrever, clarifique por que você vai usar o diário (por exemplo, documentar etapas de uma pesquisa, registrar observações de campo, refletir sobre decisões metodológicas) e escolha um formato: físico (caderno capa dura) ou digital (ferramentas como Google Docs, Evernote, Notion etc.). 

 2. Comece com uma página de identificação

Logo nas primeiras páginas inclua dados básicos do projeto:

* Tema e título provisório

* Seu nome e dos participantes

* Nome do orientador

* Instituição e ano

 Isso dá contexto cronológico ao que será registrado.

3. Use uma estrutura cronológica clara

Registre sempre data, hora e local de cada entrada e escreva os eventos em ordem cronológica. Isso garante que, no futuro, você possa reconstruir exatamente o andamento da pesquisa. 

4. Registre ações, observações e decisões

Não anote só o que aconteceu, mas também como foi feito: atividades realizadas, métodos escolhidos, resultados parciais, problemas encontrados e como você lidou com eles.

5. Inclua reflexões e análises pessoais

Além do registro factual, dedique espaço para refletir sobre suas decisões, dúvidas, dificuldades e insights. A reflexão crítica alimenta a análise e fortalece a compreensão do processo investigativo. 

6. Registre tudo, inclusive fracassos e imprevistos

Nenhuma pesquisa são apenas flores... Não descarte registros quando algo não der certo: falhas, tentativas frustradas ou desvios do plano são parte valiosa do processo e podem revelar caminhos ou limitações metodológicas. 

7. Use anotações visuais e multimodais

Se for relevante ao seu projeto, acrescente esboços, mapas, fotos, gráficos e esquemas, especialmente em pesquisas de campo ou que envolvem variações espaciais e conceituais. No contexto cartográfico, por exemplo, desenhos e mapas podem ser uma forma de registrar “movimentos e intensidades” da pesquisa. 

8. Releia e revise periodicamente

O diário não é só uma coleção de notas: ele deve ser um instrumento ativo de análise. Releia entradas anteriores para identificar padrões, ajustar hipóteses ou detectar linhas de fuga no desenvolvimento da pesquisa. 

9. Estabeleça uma rotina de escrita

Para que o diário não “esfrie”, associe a escrita a um gatilho consistente (por exemplo, ao final de cada dia de campo, ao concluir uma etapa específica) e defina uma periodicidade mínima para as sessões de registro.

Não caia na armadilha que vai lembrar de tudo uma semana, ou um mês depois...

10. Integre o diário a outras etapas da pesquisa

Use o diário como fonte para relatórios finais, apresentações ou artigos. Ele pode servir de base para formulários de relatórios mais formais ou resumos, além de facilitar a comunicação com orientadores e colegas ao tornar explícita sua trajetória de pesquisa.

Dicas Extras (Boas Práticas)

* Seja consistente na legenda e na terminologia que usa (datas, títulos de seções, notas pessoais). Isso facilita consultá-lo depois.

* Se optar pelo formato digital, organize pastas e backups regulares para evitar perda de dados.

* Para projetos em grupo, estabeleçam regras de escrita e revisão conjunta, assim todos contribuem de forma ordenada.

domingo, 27 de março de 2022

Jamovi e a análise de dados quantitativos

Quem acompanhou as minhas postagens sobre o processo do pós-doc deve ter percebido que buscamos, entre outros objetivos, dedicar um pouco mais do tempo para o estudo da estatística e como a análise de dados quantitativos é necessária para a Educação.

O processo de organização dos dados coletados, a sistematização e a análise realizei com três softwares: Excel 2019, R 4.0.5 e Jamovi versão 1.8.2

Talvez o mais desconhecido desse processo, para a maioria dos pesquisadores que me acompanham aqui no blog, seja o Jamovi. Ele é um software gratuito de modelagem estatística que, também fornece código R usado nas suas análises, permitindo que os scripts sejam usados, por exemplo, no RStudio, o que pode aumentar a capacidade de modelagem. Como o SPSS, programa robusto para análise estatística, tem um valor alto no mercado e nem sempre acessível aos pesquisadores de instituições públicas ou jovens pesquisadores, o Jamovi é uma alternativa interessante.

Sua interface é bastante intuitiva. As possibilidades da inserção e organização dos dados também não requer aprofundamentos como os necessários para o R ou o RStudio. Os gráficos são interessantes, mas o melhor está nas análises descritivas e nos demais testes que é possível realizar, como Wicoxon rank, Kruskal-Wallis, Shapiro-Wilk e também correlação.


Como sugestão de literatura para os iniciantes nos estudos da estatística para a análise de dados, sugiro o livro de Dancey e Reidy, já na sua 7ª edição, pela Editora Penso. O livro é baseado no SPSS, mas é possível entender e realizar vários testes estatísticos a partir de suas instruções no Jamovi.


DANCEY, Christine; REIDY, John. Estatística sem matemática para psicologia. 7. ed. Porto Alegre: Penso Editora, 2019.


sexta-feira, 7 de maio de 2021

Curso sobre o R

 Hoje começamos, com o prof. Marcos Vital (ICBS-Ufal) o curso sobre o R.


R é um software livre para análise de dados. Foi desenvolvido em em 1996, com os professores de estatística Ross Ihaka e Robert Gentleman, da Universidade de Auckland que criaram uma nova linguagem computacional, similar a linguagem S desenvolvida por John Chambers.


A expectativa é que possamos aprofundar sobre a utilização deste software para análise quantitativa dos dados coletados no pós-doc, como também em outras atividades.




sábado, 1 de maio de 2021

Scientific production about digital games in school physical education: what do national journals say?


José Ricardo Lopes Ferreira (Estácio de Sá - College of Alagoas)

Fernando Silvio Cavalcante Pimentel (Federal University of Alagoas)


ABSTRACT: This article proposes to debate about the academic scientific production inherent to digital games and Physical Education in Schools. To this end, scientific articles published in national journals in the field of Physical Education were analyzed. The screen research has a qualitative character, since it operates a Systematic Literature Review. As a criterion for the selection of the studied journals, priority was given to those focused on the stratification area of Physical Education, with Qualis A and B according to the CAPES assessment (2013-2016) in the time frame between 2015 and 2019. Five articles were selected. It is observed that empirical studies have a predilection for games that have active movements, such as exergames and augmented reality games. Theoretical studies are concerned with problematizing digital games as immaterial cultural elements that have their own language capable of producing senses and meanings based on interactive processes. In addition, the need to develop studies in the areas of serious games and e-Sports was identified. Finally, a more comprehensive RSL is suggested, covering the annals of events and theses and dissertations.

Keywords: Learning. School physical education. Digital culture. Basic education.


A produção científica sobre jogos digitais na educação física escolar: o que dizem os periódicos nacionais?

 A produção científica sobre jogos digitais na educação física escolar: o que dizem os periódicos nacionais?

José Ricardo Lopes Ferreira (Estácio de Sá - Faculdade de Alagoas)

Fernando Silvio Cavalcante Pimentel (Universidade Federal de Alagoas)


Resumo: Este artigo se propõe debater a respeito da produção acadêmica-científica inerente aos jogos digitais e a Educação Física Escolar. Para tal, foram analisados artigos científicos publicados nos periódicos nacionais no campo da Educação Física. A pesquisa em tela possui um caráter qualitativo, já que opera uma Revisão Sistemática da Literatura. Como critério para a seleção dos periódicos estudados, foram priorizados aqueles voltados área de estratificação da Educação Física, com Qualis A e B de acordo com a avaliação da CAPES (2013-2016) no recorte temporal compreendido entre 2015 e 2019. Foram selecionados cinco artigos. Observa-se que os estudos empíricos apresentam uma predileção a jogos que possuem movimentos ativos, como exergames e jogos de realidade aumentada. Os estudos teóricos se ocupam em problematizar os jogos digitais como elementos culturais imateriais que possuem uma linguagem própria capaz de produzir sentidos e significados a partir dos processos interativos. Ademais, foi identificada a necessidade de desenvolver estudos nos âmbitos dos serious games e dos e-Sports. Por fim, sugere-se uma RSL mais abrangente, contemplando os anais de eventos e as teses e dissertações.

Palavras-chaves: Aprendizagem. Educação física escolar. Cultura digital. Educação básica.

Disponível em: https://www.revistasuninter.com/intersaberes/index.php/revista/article/view/2043

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Aula sobre Estudo de Caso

 Ontem pude ministrar aula para a estudantes de Mestrado em Ensino, no âmbito de uma Unidade curricular (UC) de Metodologia de Investigação em Educação da Universidade de Aveiro. Uma oportunidade interessante para o aprofundamento metodológico, além das relações internacionais que são fortalecidas.

A UC está sob a responsabilidade da Profa. Dra. Margarida M. Marques, que é minha supervisora no pós-doc, que me fez o convite para ministrar essa aula.


O tema da aula foi a metodologia Estudo de Caso, e aqui seguem algumas referências que podem servir de base à aqueles que desejarem aprofundar no tema.

Alves-Mazzotti, A. (2006). Usos e abusos dos estudos de caso. Cadernos de Pesquisa, v. 36, n. 129, pp. 637-651.

Bogdan, R. & Biklen, S. (1994). Investigação Qualitativa em Educação. Porto: Porto Editora. *

Yin, R. (2001). Estudo de caso: procedimentos e métodos. Porto Alegre: Bookman.

Gerring, J. (2019). Pesquisa de estudo de caso: princípios e práticas. Petrópolis, RJ: Vozes.

Rios, J. (2021). Estudo de caso: método de pesquisa qualitativa ou método qualitativo de pesquisa? In Moreira, A.; Sá, P. & Costa, A. P. (Coords). Reflexões em todo de Metodologias de Investigação: métodos (Vol. 1). Aveiro: UA Editora.

Lessard–Hébert , M.; Goyette, G. & Boutin, G. (1994). Investigação Qualitativa – Fundamentos e práticas. Lisboa: Piaget.

Pardal, L. A. & Correia, E. (2011). Métodos e Técnicas de Investigação Social. Porto: Areal.

Stake, R. E. (2005). Investigación con estudio de casos. Madrid: Morata, (tradução do original de 1995, The art of case study research, Sage Publications).

Stake, R.E. (2007). A arte de investigação com estudos de caso. Lisboa: Gulbenkian.



terça-feira, 28 de julho de 2020

terça-feira, 9 de junho de 2020

Pesquisa - passo a passo

Os mapas a seguir, elaborados por alunos do doutorado em Educação da Universidade Federal de Alagoas, apresentam os elementos que norteiam o passo a passo da pesquisa.


Elaborado pela Profa. Me. Fernanda Mota

Elaborado pela Profa. Me. Mayara Lira


Elaborado pela Profa. Me. Cintia Gomes