Educação OnLine by Fernando Pimentel
Educação - Tecnologias - Espiritualidade - Partilha
quinta-feira, 9 de julho de 2026
O processo de análise de dados na pesquisa cartográfica
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Explorando a Tabela Periódica Interativa com Realidade Aumentada no Ensino de Química
E se os seus alunos pudessem estudar a tabela periódica utilizando Realidade Aumentada?
Ainda em comemoração ao Dia do Químico (ontem, 18 de junho), tenho a satisfação de compartilhar mais uma publicação científica, intitulada “Explorando a Tabela Periódica Interativa com Realidade Aumentada no Ensino de Química”, publicada na revista Extensão em Debate (UFAL). O trabalho foi desenvolvido em parceria com Stefany Emmanuela Messias Cruz Silva, Maria Julia Amaro Rodrigues e Monique Gabriella Angelo da Silva, e apresenta os resultados de uma experiência inovadora que integra Realidade Aumentada (RA) ao ensino de Química.
A pesquisa investigou o uso de uma Tabela Periódica Interativa, desenvolvida com o aplicativo RApp Chemistry, como recurso pedagógico para facilitar a compreensão dos elementos químicos e de suas propriedades. A proposta surgiu da necessidade de tornar conceitos tradicionalmente abstratos mais acessíveis, utilizando recursos digitais capazes de promover maior interação e engajamento dos estudantes.
O estudo foi realizado em contextos formais e não formais de aprendizagem, incluindo atividades desenvolvidas na Usina Ciência da UFAL e ações itinerantes durante o SINPETE 2024. A ferramenta permitiu aos participantes visualizar modelos atômicos em três dimensões por meio de dispositivos móveis, ampliando as possibilidades de exploração da Tabela Periódica de maneira dinâmica e imersiva.
Os resultados demonstraram uma avaliação bastante positiva da experiência. A maioria dos participantes considerou a ferramenta fácil ou muito fácil de utilizar e relatou melhorias significativas na compreensão dos elementos químicos. Os dados reforçam o potencial da Realidade Aumentada como recurso educacional capaz de aproximar teoria e prática, favorecendo uma aprendizagem mais significativa e estimulante.
Além de destacar as contribuições da tecnologia para o ensino de Ciências, o artigo evidencia a importância da integração entre inovação tecnológica, extensão universitária e formação científica. A experiência mostrou que recursos acessíveis e interativos podem contribuir para democratizar o acesso ao conhecimento e despertar maior interesse pela Química entre estudantes de diferentes contextos educacionais.
A publicação também aponta perspectivas futuras para o desenvolvimento de soluções educacionais baseadas em tecnologias emergentes, incluindo a ampliação do uso da Realidade Aumentada em ambientes formais de ensino e sua integração com metodologias ativas e inteligência artificial.
Agradeço às coautoras, aos participantes da pesquisa e às iniciativas de extensão da Universidade Federal de Alagoas que possibilitaram a realização deste trabalho.
Referência da publicação:
Silva, S. E. M. C.; Rodrigues, M. J. A.; Pimentel, F. S. C.; Silva, M. G. A. Explorando a Tabela Periódica Interativa com Realidade Aumentada no Ensino de Química. Extensão em Debate, v. 15, n. 24, 2026. Disponível em: https://periodicos.ufal.br/extensaoemdebate/article/view/19701 Acesso: 19 jun. 2026.
#Educação #TecnologiasDigitais #RealidadeAumentada #EnsinoDeQuímica #InovaçãoEducacional #UFAL #ExtensãoUniversitária #Pesquisa #Ciência #EducaçãoDigital
segunda-feira, 15 de junho de 2026
A janela que se fecha — e as que se abrem
Há algo de ritual no final de um semestre letivo. As últimas aulas, os últimos trabalhos, as últimas conversas de corredor. O ar muda. As salas ficam com uma textura diferente, como se os espaços soubessem, antes mesmo de nós, que algo está se encerrando.
E então, inevitavelmente, nos vemos diante de uma janela.
Tenho pensado muito nessa metáfora nos últimos dias. Escrevi recentemente (no Instagram @fernandoscpimentel) que olhar pela janela parece ser fácil, mas difícil é perguntar o que existe além dela. É exatamente essa pergunta que o final do semestre nos convoca a fazer, não apenas sobre os conteúdos trabalhados, as competências desenvolvidas, os planos de ensino cumpridos, mas sobre o que realmente aconteceu naquele espaço entre nós e os nossos alunos.
A janela do semestre não é apenas uma moldura do tempo. É o espaço por onde passou luz, e às vezes sombra. Por onde circularam perguntas que não esperávamos, silêncios que falaram mais do que as palavras, olhares que nos disseram "entendi" e outros que confessaram, sem voz, "ainda não".
Final de semestre é tempo de balanço. Mas há balanços que contam apenas o que foi produzido, notas lançadas, conteúdos vencidos, cronogramas cumpridos. E há balanços que perguntam o que foi vivido. A formação humana, como tenho insistido neste espaço, acontece no espaço entre o que vemos e o que somos capazes de sentir, questionar e imaginar. Não se mede em planilhas. Ela aparece no estudante que, meses depois, nos encontra no corredor e diz: "Professor, aquela aula ficou comigo." Aparece na pergunta que um aluno fez e que nos obrigou a rever uma certeza antiga. Aparece no momento em que percebemos que, ao ensinar, também aprendemos.
Quando educamos com sensibilidade, ensinamos a perceber o outro. Quando educamos com criticidade, ensinamos a não aceitar o mundo como ele simplesmente é. Quando educamos com esperança, ensinamos que transformar é possível. Essas três palavras não são ornamento de discurso. São critério de avaliação do que realmente importa no nosso ofício. E o final do semestre é o momento certo para nos perguntarmos: quanto disso ficou? Quanto disso ainda está acontecendo, mesmo agora, nos trajetos de volta para casa dos nossos estudantes?
Há uma armadilha no final do semestre: a sensação de encerramento definitivo. O semestre acabou, a turma se desfez, o ciclo fechou. E com isso, às vezes, uma certa tristeza, ou, no oposto, um cansaço tão grande que mal temos energia para refletir sobre o que ficou. Mas fechar uma janela não é o mesmo que perder a paisagem.
O que aconteceu neste semestre não desaparece quando o diário de classe é entregue. Ele continua vivo nos sujeitos que habitaram aquelas salas conosco. Nos estudantes que levaram consigo uma pergunta, um texto, um modo diferente de olhar para um problema. E continua vivo em nós, nos afetamentos que ainda estamos processando, nas lacunas que percebemos, nos pontos em que nos surpreendemos com o que foi possível construir juntos. A cartografia me ensinou que o território não para de falar só porque o pesquisador parte. Algo semelhante acontece na docência: o processo educativo não encerra na última aula. Ele continua se desdobrando em cada um de nós e em cada um deles, em ritmos que não controlamos.
É aqui que a metáfora da janela ganha outra camada. Quando fechamos uma janela, criamos a condição para abrir outra. O que aprendemos neste semestre, sobre o que funcionou, sobre o que precisa mudar, sobre quem somos como professores, é exatamente o que nos prepara para o próximo começo. E esse próximo começo está sempre mais perto do que imaginamos.
Há uma renovação silenciosa que acontece no período entre semestres. Não é descanso apenas no sentido físico. É o tempo em que as experiências sedimentam, as intuições ganham forma, as perguntas que não tivemos tempo de fazer durante o semestre finalmente emergem. É o tempo em que o professor se prepara, não só com planos de aula, mas com uma disposição renovada para o encontro. Porque o encontro é sempre o centro. Não o conteúdo, não a metodologia, não a tecnologia, embora todos esses importem. O que move a educação, no fundo, é a relação entre sujeitos que se dispõem a aprender juntos. E para que esse encontro seja genuíno, o professor precisa chegar ao próximo semestre não apenas descansado, mas presente. Diferente, de algum modo, daquele que entrou na primeira aula do começo do ano.
Encerro com a mesma pergunta que fiz nas redes: que tipo de janela você abre para os seus alunos todos os dias? Mas agora adiciono uma outra: o que você viu pela janela deste semestre que vai mudar o modo como você olha para a próxima turma?
O final do semestre não é o fim da história. É o ponto em que a história dobra sobre si mesma e se prepara para continuar. Com os mesmos compromissos que nos movem, a sensibilidade, a criticidade, a esperança, mas com mais experiência, mais humildade e, quem sabe, mais gratidão pelo privilégio imenso e exigente de ser professor.
A janela se fecha. E já estou curioso para ver o que aparecerá na próxima.
Seguimos caminhando.
#FormaçãoHumana #Educação #Docência #FinalDeSemestre #Pedagogia
sexta-feira, 12 de junho de 2026
Estudando cartografia: a intervenção que o mapa provoca!
Há uma pergunta que ficou suspensa nas últimas postagens desta série e que vários leitores me fizeram, de formas diferentes: mas o que vocês fizeram com o que encontraram? A pesquisa só observou, ou também interferiu?
A resposta curta é: a pesquisa sempre interfere. E é exatamente aí que as coisas ficam interessantes.
A resposta longa é esta postagem.
O que realmente entendemos por práticas educativas?
Acaba de ser publicado na Revista Foco o artigo "Práticas Educativas: uma análise da literatura acadêmica no campo da educação".
Embora o termo "práticas educativas" seja amplamente utilizado em pesquisas, documentos institucionais e debates sobre educação, nosso estudo parte de uma inquietação simples: afinal, como a literatura acadêmica conceitua as práticas educativas? A resposta revelou um cenário surpreendente. Ao analisar a produção científica em língua portuguesa dos últimos anos, identificamos que, apesar da grande quantidade de estudos que abordam experiências, metodologias e ações pedagógicas, são poucos os trabalhos que se dedicam a discutir conceitualmente o que são, de fato, as práticas educativas.
Os resultados mostram que a literatura tem privilegiado o "fazer" docente, concentrando-se na descrição de experiências e intervenções, enquanto a reflexão teórica sobre o conceito permanece tímida e fragmentada. A pesquisa também evidencia a complexidade do tema, que envolve dimensões pedagógicas, éticas, afetivas, sociais e culturais, ultrapassando uma visão restrita das práticas realizadas em sala de aula.
Além de apresentar um panorama da produção acadêmica, o artigo dialoga com autores como Carvalho e Marques, Kimura, Nascimento e Vieira, e Zabala, destacando diferentes perspectivas sobre o papel das práticas educativas na formação humana e na construção dos processos de ensino e aprendizagem.
Convido pesquisadores, professores, estudantes de pós-graduação e demais interessados na área da Educação a conhecerem o estudo. A leitura pode contribuir para reflexões importantes sobre um conceito que utilizamos frequentemente, mas que ainda demanda maior aprofundamento teórico e epistemológico.
Disponível em: https://ojs.focopublicacoes.com.br/foco/article/view/12027/8407
Boa leitura!
domingo, 7 de junho de 2026
Metacognição, Currículo e Inovação na Área da Saúde
É com grande satisfação que compartilho a publicação do artigo “Metacognição, Currículo e Inovação: um estudo sobre as práticas pedagógicas na área da saúde”, desenvolvido em parceria com Larissa Vasconcelos dos Santos, Samilly Kawanne dos Santos Correia e com o Dr. Raphael de Oliveira Freitas.
O estudo apresenta uma ampla investigação bibliométrica realizada em oito importantes bases científicas internacionais, buscando compreender como a inovação, a metacognição e o currículo vêm sendo articulados nas práticas pedagógicas dos cursos da área da saúde.
Ao longo da pesquisa, analisamos tendências, estratégias e abordagens utilizadas na formação de profissionais da saúde, identificando quais práticas inovadoras têm sido adotadas e de que maneira os processos metacognitivos são incorporados — ou negligenciados — nos currículos acadêmicos.
Os resultados revelam um cenário instigante: embora a inovação seja frequentemente associada ao uso de tecnologias digitais e metodologias ativas, a metacognição ainda aparece de forma tímida e pouco estruturada como estratégia de aprendizagem nos currículos da área da saúde. O estudo aponta, portanto, a necessidade de ampliar o debate sobre práticas pedagógicas que promovam a reflexão, a autorregulação da aprendizagem e o desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes.
A publicação contribui para pesquisadores, professores, gestores educacionais e estudantes interessados em inovação educacional, currículo, metodologias ativas e metacognição, especialmente no contexto da formação em saúde.
📖 Acesso gratuito ao artigo:
https://www.e-publicacoes.uerj.br/re-doc/article/view/90162
Boa leitura! Ficarei muito satisfeito em receber comentários, críticas e contribuições sobre o tema.
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Do ensinar ao aprender: quando a aula deixa de ser o centro
quinta-feira, 4 de junho de 2026
A pergunta que antecede tudo: o que é aprender?
Há uma certa coragem em fazer perguntas que parecem simples. "O que é aprender?" é uma delas. Simples na forma, desconcertante no conteúdo, especialmente quando se está diante de educadores que passaram anos ensinando e que, ao ser confrontados com ela, percebem que a resposta nunca foi tão óbvia quanto parecia.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Ensinar em tempos de IA Generativa: crise ou reinvenção da docência?
- A IA chegou à escola. E agora?
- Os desafios da IA: o que os professores precisam observar
- IA como aliada: possibilidades para transformar a aprendizagem
- Reinventando a docência: o que a IA nunca substituirá
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Magnífica Humanitas: quando o Papa fala de IA, ele está falando de você
E muita gente logo perguntou: por que um papa está falando de inteligência artificial? A resposta mais honesta é que ele não está falando de inteligência artificial. Pelo menos, não apenas disso.
A IA é o pano de fundo. O tema é o ser humano.
Escrevo isso como catequista, como professor e como pesquisador da área de Educação e Tecnologias. São três lugares de onde leio este documento ao mesmo tempo, e de todos eles a conclusão é a mesma: Leão XIV não está fazendo uma análise técnica da IA. Ele está fazendo algo muito mais antigo e mais necessário. Está cuidando do rebanho.
A inteligência artificial aparece na encíclica como o sinal dos tempos, as chamadas res novae, as "coisas novas" do nosso tempo, assim como a questão operária era a novidade do tempo de Leão XIII. Mas o que move este papa não é a tecnologia em si. É a pergunta que ela força para o centro: quem somos nós? O que não podemos perder de nós mesmos?
Como pastor, ele vê o rebanho exposto a riscos reais: a desumanização silenciosa, a substituição das relações autênticas por simulacros digitais, o trabalho ameaçado, a verdade fragilizada, a guerra banalizada pelos algoritmos. E por isso fala. Não como quem condena a tecnologia, mas como quem quer que as ovelhas escutem o pastor antes de atravessar terreno perigoso.
Um breve mapa da encíclica
O documento é extenso e rico, dividido em cinco capítulos precedidos de uma introdução e encerrados por uma conclusão de fôlego espiritual. De forma muito sintética:
A introdução evoca duas imagens bíblicas que percorrem todo o texto: a Torre de Babel, símbolo do poder que se fecha em si mesmo e desumaniza; e a reconstrução das muralhas de Jerusalém sob a liderança de Neemias, símbolo de responsabilidade partilhada, escuta e reconstrução paciente do que é humano.
O Capítulo I faz um percurso pela tradição viva da Doutrina Social da Igreja, de Leão XIII ao Papa Francisco, mostrando que a Igreja sempre caminhou com a humanidade diante das grandes transformações históricas.
O Capítulo II apresenta os fundamentos e princípios dessa Doutrina Social como a dignidade humana, o bem comum, a destinação universal dos bens, a subsidiariedade, a solidariedade e a justiça social, todos como critérios concretos de discernimento para a era digital.
O Capítulo III enfrenta diretamente o paradigma tecnocrático e as promessas da IA, incluindo uma análise crítica do transumanismo e do pós-humanismo. O Papa é claro: os sistemas de IA não vivem, não amam, não têm consciência moral. Podem imitar, mas não compreender. E por isso não podem substituir o ser humano no que ele tem de mais precioso.
O Capítulo IV desce ao cotidiano: a verdade como bem comum ameaçado pela desinformação, a dignidade do trabalho em risco com a automação, a fragilidade das famílias, a proteção dos jovens e o alerta às novas formas de escravidão escondidas nas cadeias de produção digital. Para quem atua na educação e pesquisa sobre tecnologia, este capítulo merece uma leitura especialmente atenta.
O Capítulo V olha para o cenário geopolítico: a normalização da guerra, o uso da IA em sistemas bélicos, a crise do multilateralismo e propõe, em contraposição, a "civilização do amor" como projeto concreto e exigente, não como utopia ingênua.
A conclusão é uma espécie de programa de vida cristã: fidelidade à verdade, investimento na educação, cuidado das relações, amor à justiça e à paz, tudo iluminado pelo Magnificat de Maria, que vê a história com os olhos dos pequenos.
Três perguntas para uma leitura aprofundada e reflexão sobre o que nos ensina o Papa
Se a inteligência artificial pode imitar a linguagem, a empatia e até o conselho sábio, o que resta de insubstituível na relação humana? O que, em minha vida, só pode ser dado por uma presença real?
O Papa fala de uma "síndrome de Babel": a idolatria do lucro, a uniformidade que apaga as diferenças, a pretensão de reduzir tudo a dados e desempenho. Em que momentos minha própria forma de usar a tecnologia reproduz essa lógica?
Leão XIV afirma que "a qualidade de uma civilização não se mede pelo poder dos seus meios, mas pelo cuidado que sabe oferecer". Que tipo de cuidado estou oferecendo às pessoas ao meu redor, e a IA está ajudando ou substituindo esse cuidado?
Para continuar lendo
Esta foi uma primeira leitura, feita ainda no calor do dia do lançamento. Como catequista, já vejo aqui material precioso para o processo de iniciação cristã e para a formação de adultos na fé. Como professor e pesquisador de Educação e Tecnologias, vejo um documento que vai exigir diálogo sério com a academia, com as escolas e com as políticas públicas. O texto merece, e exige, muito mais do que uma passagem rápida.
Outras leituras serão feitas, com mais calma e atenção, para compreender em profundidade o magistério que Leão XIV começa a construir. Uma coisa, porém, já ficou clara desde esta primeira vez: este papa quer ser ouvido. E o que ele tem a dizer é urgente.
A encíclica Magnifica Humanitas está disponível integralmente no site da Santa Sé:
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/en/encyclicals/documents/20260515-magnifica-humanitas.html
