Educação OnLine by Fernando Pimentel
Educação - Tecnologias - Espiritualidade - Partilha
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Diário de bordo – 7 de maio de 2026: o que o mapa já começa a revelar?
Diário de bordo – 7 de maio de 2026: o mapa que nasce no encontro
quarta-feira, 6 de maio de 2026
O que gestores da educação pensam sobre a Educação Híbrida?
👉 Acesse o artigo aqui: https://revistarede.ifce.edu.br/ojs/index.php/rede/article/view/191
sábado, 2 de maio de 2026
Quando o seu trabalho chega onde você nem imaginou
Confesso que parei um momento para absorver. Às vezes trabalhamos tanto na produção de um conteúdo, com horas de pesquisa, leituras, roteiro, gravação, edição, que nos perdemos no processo e esquecemos o quanto esse material pode viajar além dos nossos olhos.
É sempre uma satisfação imensa saber que o que estou produzindo e que é fruto de muito estudo e pesquisa, está sendo valorizado e que faz parte de processos educacionais dos quais, muitas vezes, nem sei que estou participando.
Esse tipo de retorno me renova a energia e reforça o compromisso de continuar produzindo com rigor e cuidado. Saber que o conteúdo chega às salas de aula, às pesquisas, às reflexões de outros educadores... isso é o que dá sentido a tudo.
Se você ainda não conhece o podcast, aproveito para deixar o convite. Todo o conteúdo está disponível gratuitamente no Spotify:
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Cultura Digital e Educação · Análise Educacional
Construindo mapas de pesquisas cartográficas em Educação (I)
- rastreio: o pesquisador vaga pelo campo sem focar num objeto específico, abrindo-se ao que circula. É o momento de deixar as entrevistas falarem antes de enquadrá-las;
- toque: algo chama a atenção. Uma fala que se repete com intensidade diferente. Um silêncio. Uma contradição. Esse toque não é ainda uma análise; é um sinal de que algo merece parada;
- pouso: a atenção se detém. O pesquisador "pousa" sobre aquela pista e começa a construir uma relação com ela. É aqui que o diário de campo se torna indispensável; e
- reconhecimento atento: o reconhecimento atento não é a mera comparação com uma memória prévia, mas é feito por um trabalho de construção da percepção através do acionamento de circuitos e da expansão da cognição. Ou seja: quando reconhecemos algo no campo, não estamos confirmando o que já sabíamos; estamos criando uma percepção nova.
- O que se repete com maior intensidade, não necessariamente com maior frequência?
- Onde aparecem as contradições? O que o entrevistado diz que contraria o que foi observado em campo?
- O que foi dito com hesitação, com humor, com emoção inesperada?
- O que não foi dito, mas estava presente?
- Quais metáforas o entrevistado usou espontaneamente para descrever sua experiência?
DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 1. São Paulo: Ed. 34, 1995.
KASTRUP, V. O funcionamento da atenção no trabalho do cartógrafo. In: PASSOS, E.; KASTRUP, V.; ESCÓSSIA, L. da (Orgs.). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009. p. 32-51.
PASSOS, E.; BARROS, R. B. A cartografia como método de pesquisa-intervenção. In: PASSOS, E.; KASTRUP, V.; ESCÓSSIA, L. da (Orgs.). Pistas do método da cartografia. Porto Alegre: Sulina, 2009. p. 17-31.
POZZANA, L.; KASTRUP, V. Cartografar é acompanhar processos. In: PASSOS, E.; KASTRUP, V.; ESCÓSSIA, L. da (Orgs.). Pistas do método da cartografia. Porto Alegre: Sulina, 2009. p. 52-75.
BARROS, L. M. R.; KASTRUP, V. Cartografar é acompanhar processos. In: PASSOS, E.; KASTRUP, V.; TEDESCO, S. (Orgs.). Pistas do método da cartografia: a experiência da pesquisa e o plano comum. Porto Alegre: Sulina, 2014.
TEDESCO, S.; SADE, C.; CALIMAN, L. A entrevista na pesquisa cartográfica: a experiência do dizer. Fractal: Revista de Psicologia, v. 25, n. 2, p. 299-322, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1984-02922013000200006 Acesso: 02 maio 2026.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
Construindo quem somos e quem seremos: a pesquisa científica como passaporte para o futuro
Hoje é um daqueles dias que me fazem lembrar por que escolhi ser professor e pesquisador. Estarei no evento da Fapeal — a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas — para encontrar estudantes do ensino médio da rede pública de todo o estado, participantes do programa Pibic Jr, uma iniciativa que reúne a Secti, a própria Fapeal e a Seduc.
São adolescentes e jovens que, muitas vezes, ainda não percebem o quanto já fazem parte do mundo da ciência. Minha fala de hoje gira em torno de uma pergunta simples, mas profunda: o que a pesquisa científica tem a ver com você — agora, no ensino médio, e lá na frente, no seu futuro?
"Pesquisar não é um privilégio de poucos. É um jeito de ver o mundo com mais perguntas do que respostas prontas — e isso transforma qualquer pessoa."
A iniciação científica no ensino médio não é apenas um item no currículo. Ela desenvolve habilidades que nenhuma aula expositiva consegue ensinar sozinha: a curiosidade sistemática, a tolerância à incerteza, a capacidade de argumentar com evidências. Quem aprende a pesquisar aprende, antes de tudo, a pensar.
De Alagoas para o mundo — e o mundo nos cita
Encerro esta postagem com algo que gosto de mostrar quando falo com estudantes alagoanos, porque acredito que precisa ser dito em voz alta: produzimos ciência relevante daqui.
Em 2021, publiquei um artigo em coautoria com colegas portugueses — Paulo Marinho e Preciosa Fernandes — na revista internacional Distance Education, sobre o portfólio digital como estratégia de avaliação no ensino superior. O estudo nasceu aqui, em Maceió, na Ufal.
Alcance global, origem alagoana
O artigo The digital portfolio as an assessment strategy for learning in higher education foi citado em 13 países nos cinco continentes. Ele está disponível em: tandfonline.com/doi/abs/10.1080/01587919.2021.1911628
Conto isso não para me gabar, mas para dizer às estudantes e aos estudantes de hoje: a geografia não limita o alcance das suas ideias. Você pode estar numa escola pública de Maceió, de Palmeira dos Índios, de Santana do Ipanema — e ainda assim produzir conhecimento que o mundo vai ler, citar e usar.
É para isso que o Pibic Jr existe. É para isso que a pesquisa importa. Nos vemos hoje, Alagoas.
terça-feira, 28 de abril de 2026
Diário de bordo | 27 de abril de 2026 Categorias, subcategorias e o Atlas.ti: a pesquisa que se faz em grupo
E como a gente faz pesquisa?
Até o próximo registro.
