Educação OnLine by Fernando Pimentel
Educação - Tecnologias - Espiritualidade - Partilha
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
What is an Innovation Center for Hybrid Education?
sábado, 26 de setembro de 2026
O que é um Núcleo de Inovação para a Educação Híbrida?
Um núcleo que não é lugar.
Uma política que se metaboliza.
Uma escrita que também pesquisa.
sábado, 19 de setembro de 2026
Fora da caixa: tempos e espaços da educação híbrida
Hoje no registro deste diário de bordo da pesquisa quero começar com uma confissão. Durante a visita aos três Núcleos de Inovação para a Educação Híbrida instalados em São Luís, algo me intrigou: pela primeira vez, tive a ansiedade de começar a escrever antes de concluir as atividades da pesquisa. Tentei acalmar o coração e a mente, embora já tenha rabiscado as primeiras linhas dentro do próprio espaço dos Núcleos. A versão publicável, porém, só ficou pronta hoje, às vésperas da minha partida da cidade.
Talvez a pressa em escrever diga algo sobre a experiência. Nesta visita, busquei vivenciar a imersão no campo de pesquisa: sentir como a história, a arquitetura, a cultura, a culinária e o jeito de ser da população local interferem no cotidiano e no desenvolvimento das ações dos Núcleos. Vale deixar isso registrado.
A cartografia, como método de pesquisa, nos lembra que, antes de pesquisar uma comunidade, é preciso chegar devagar. Passos, Kastrup e Escóssia, em Pistas do método da cartografia, falam de acompanhar processos, e não de representar objetos. Suely Rolnik, em Cartografia sentimental, lembra que o cartógrafo mergulha nas intensidades do território e "come" o que lhe serve de alimento. Já Deleuze e Guattari, ao apresentarem o rizoma, dizem que o mapa é aberto, conectável e sempre em construção. Por isso escutamos histórias, caminhamos pelas ruas, provamos a comida, observamos os encontros e também os silêncios. A cultura de um lugar não está só em dados: ela pulsa nos gestos, nas memórias e nas relações que o habitam.
Para entender como o Maranhão constrói seu conceito-prática de educação híbrida, foi preciso também compreender os 414 anos de história de sua capital.
Na visita in loco ao espaço onde os Núcleos funcionam, e nas entrevistas realizadas, percebemos uma intencionalidade pedagógica na produção dos projetos. Um deles já existia antes dos Núcleos: um estúdio de gravação, ainda sem os equipamentos atuais e sem uma equipe tão organizada. Isso nos diz algo importante: a educação híbrida no Maranhão não começou com o Núcleo, nem com a norma. Ela vem sendo gestada na prática, em iniciativas que encontraram, depois, um lugar institucional para crescer.
É aqui que a experiência de campo tem nos ensinado mais. A Resolução CNE/CEB nº 2/2024 apresenta um conceito de educação híbrida que amplia os tempos e os espaços da aprendizagem. Mas o que temos percebido, nas andanças e visitas aos estados, é que essa ampliação ainda não se materializou. O que vemos nos Núcleos é a educação híbrida se constituindo no cotidiano, entre o que está previsto e o que é possível: nas escolhas de quem planeja, nas adaptações de cada professor, nas condições de acesso e conectividade, nas distâncias de um estado que é o segundo maior do Nordeste em extensão territorial. Os estúdios, a produção de conteúdo e a formação de professores são passos reais, e é assim que o conceito vai virando prática. Por isso falo em conceito-prática: o que está no papel e o que acontece de fato não são coisas separadas.
Ainda sentimos falta, porém, de um currículo que acompanhe essa ampliação. Nossa organização curricular continua muito "encaixotada": pensada para um tempo determinado e para um espaço determinado, a aula, a sala, a grade de horários. Enquanto isso não se desloca, a tecnologia corre o risco de apenas transportar a caixa de um lugar para outro. E essa ampliação ainda não é uma realidade em nenhum dos territórios que visitamos. Longe de ser crítica, é a constatação de que a norma abre um caminho que ainda está sendo percorrido, e de que cada território o percorre com os recursos, as histórias e os desafios que tem. Entender a educação híbrida "de fato constituída", e não apenas a prescrita, exige esse olhar de quem caminha junto. Encontramos, em São Luís, uma equipe dinâmica, organizada, afinada e comprometida com a aprendizagem dos estudantes, e isso faz diferença no modo como o conceito se materializa.
A partir de cada Núcleo que vamos visitando percebemos o quanto a inovação educacional vai brotando e exige novas dinâmicas, aprendizados, planejamentos, formações e políticas. Cada professor traz consigo suas experiências e sua capacidade de criar, de inovar, de se desalojar em busca de algo que promova aprendizagem. Vamos identificando igualmente o quanto o Brasil ainda precisa avançar em instrumentos capazes de acompanhar e verificar se as ações de fato promovem aprendizagem. Eventualmente, podemos até inferir que sim. Mas que dados e que evidências estamos produzindo ou coletando para auxiliar quem toma decisões? A política educacional de fato está cumprindo seu objetivo? Nossos estudantes estão de fato aprendendo? Aprendendo o que?
Sigamos avançando.
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
É tempo de travessia
Postado originalmente no Instagram (@fernandoscpimentel)
Quantas histórias cabem nestes corredores… Aqui, passaram vidas, sonhos, encontros, despedidas. Aqui, pessoas fizeram suas próprias travessias, marcadas por este carisma que, de algum modo, também atravessou a minha história e a história da minha família.
Quantas vezes atravessei este corredor. Quantas vezes cheguei. Quantas vezes parti. Quantas vezes permaneci.
Hoje, porém, ao contemplar os sinais dos tempos e perceber o silêncio incomum neste corredor, algo dentro de mim também silencia. E, nesse silêncio, consigo escutar com mais clareza os apelos que o Senhor me faz.
É tempo de travessia. Tempo de seguir adiante. Tempo de deixar para trás o que precisa ser deixado. Tempo de confiar que, quando Deus chama, Ele também prepara o caminho. Tempo de ir aonde Ele me chama.
A Palavra nos lembra que há um tempo para cada coisa: tempo de chegar e tempo de partir, tempo de semear e tempo de colher. E talvez seja justamente isso que este momento me ensina: algumas travessias não significam esquecer o lugar de onde partimos. Significam levar conosco tudo aquilo que Deus nos permitiu viver.
Por isso, diante de tantos anos de história, só posso agradecer pela bondade de Deus nos 130 anos da chegada das Religiosas da Instrução Cristã ao Brasil e pelos 60 anos de presença em terras alagoanas, no Colégio Santa Madalena Sofia.
Agradecer pelas pessoas, pelos encontros, pelos ensinamentos, pelas sementes lançadas e por tudo aquilo que continuará florescendo.
E, olhando mais uma vez para este corredor, talvez eu compreenda que ele nunca foi apenas um lugar de passagem. Ele também foi caminho. Foi travessia. Foi parte da minha história. E agora, com o coração agradecido e a fé renovada, é tempo de seguir.
Porque, quando é o Senhor quem chama, a travessia também pode ser uma forma de dizer: “Eis-me aqui.”
sábado, 12 de setembro de 2026
Diário de bordo: o que a Educação Híbrida já nos ensinou sobre si mesma
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Cartografar sendo
Escrevo isso ainda com a poeira da estrada no corpo da última viagem. Outro Núcleo, outra sala, outras caras e, no entanto, uma sensação que insiste em se repetir a cada parada: a de que não chegamos a lugar nenhum de fora. Chegamos, sim, mas já misturados.
Kastrup e Passos (2013), quando falam da cartografia como método, insistem numa ideia que parece simples no papel e que só se entende de verdade no corpo, atravessando aeroporto, rodoviária, sala de reunião, roda de conversa: a de que pesquisador e campo não estão em planos separados. Não há um observador que sobrevoa e um objeto observado que fica lá, quietinho, esperando ser descrito. Há um plano comum, ou seja, um plano de composição onde as forças de quem cartografa e as forças do território pesquisado se atravessam, se afetam, se contaminam. Cartografar não é descrever uma paisagem da janela do avião. É pousar, descer, e deixar que a paisagem também nos desenhe.
Aquilo que já venho refletindo a algum tempo: afetar e deixar-se afetar.
O que a estrada tem nos ensinado é exatamente que cada Núcleo de Inovação para a Educação Híbrida que visitamos é um mundo particular, com sua história, seus atritos, suas alegrias e seus impasses. E é curioso perceber que aprendemos cartografia ali, no meio da roda, e não antes, num manual guardado na mochila. A formação do cartógrafo não é prévia ao campo. Ela acontece com o campo, na convivência, no compartilhamento de um café, no silêncio de quem ainda não sabe se pode confiar em nós, na pergunta que alguém faz e que desmancha uma certeza que trazíamos pronta.
Isso muda tudo. Muda, por exemplo, a pergunta que a gente se faz antes de entrar numa sala. Não é mais "o que vou observar aqui?", mas "o que vou me tornar, estando aqui?". Não é mais "o que este Núcleo é?", mas "o que estamos compondo, juntos, neste encontro?".
Cada vez fica mais claro que não falamos da RIEH. Somos RIEH enquanto cartografamos. É isso que temos percebido, viagem após viagem: não fazemos cartografia para falar da RIEH, como quem descreve algo de fora, com distância segura e linguagem técnica pronta. Fazemos cartografia sendo RIEH; entendendo a rede por dentro dela mesma, descobrindo o que ela é no próprio movimento de percorrê-la, fazendo-a se atualizar a cada Núcleo em que pousamos, a cada conversa em que nos deixamos afetar.
Isso talvez seja o mais difícil de explicar para quem espera de nós um relatório limpo, com categorias fechadas e conclusões definitivas. Porque o que vivemos é outra coisa: é formação em ato, é rede se fazendo enquanto a percorremos, é cartógrafo que também se transforma a cada Núcleo e que, por isso mesmo, chega ao próximo já um pouco diferente de quem chegou no anterior.
Por isso este texto é diário de bordo, e não relatório de viagem. Diário de bordo registra o movimento enquanto ele acontece, com suas dúvidas, seus tropeços, suas pequenas alegrias de reconhecimento. Relatório de viagem conta o que já passou, arrumado, com início, meio e fim.
O que temos vivido com os Núcleos de Inovação para a Educação Híbrida, Brasil afora, ainda não tem fim, porque não é uma coisa que observamos de fora terminar. É uma coisa que estamos, com outros, fazendo acontecer. E cartografar isso é, antes de tudo, aceitar entrar no plano comum: deixar-se afetar pela rede exatamente na medida em que ela também vai se afetando pela nossa presença ali.
Seguimos.
sábado, 5 de setembro de 2026
Cartografando o Núcleo de Inovação para a Educação Híbrida em Santa Catarina
Até o próximo registro.
domingo, 30 de agosto de 2026
Finalizando agosto com mais reflexões sobre o desenvolvimento da pesquisa
Praticamente finalizando agosto e estou mais uma vez registrando aqui no blog as minhas impressões relacionadas ao que venho desenvolvendo na pesquisa.
Toda pesquisa que se preza tem seus períodos de campo, aqueles em que estamos entre aeroportos, núcleos, entrevistas e formulários. Mas toda pesquisa também tem, ou deveria ter, seus períodos de recolhimento. Semanas em que paramos de correr atrás do dado e nos permitimos correr atrás de uma ferramenta, de um conceito, de uma linguagem nova que ainda não sabíamos que precisávamos.
Foi isso que fiz esta semana, ao realizar o curso de Liderança em Transformação Digital. E escrevo este registro não como um relatório de conteúdo aprendido, mas como o que este espaço sempre pretendeu ser: um diário de bordo, um lugar de elaboração da experiência de pesquisar, com suas afecções, suas dúvidas e seus recomeços.
Uma das primeiras coisas que o curso me fez reconhecer, ou talvez reconhecer de novo, com mais nitidez, é algo que qualquer pesquisador cartógrafo já sabe no corpo, mas que às vezes esquece de nomear: pesquisa exige maturação. Exige tempo. Não o tempo do cronograma que apresentamos às agências de fomento, mas um tempo mais lento, mais teimoso, o tempo em que as ideias precisam descansar antes de virarem categoria, antes de virarem mapa. Um curso como este, pensado para lideranças que atravessam processos de transformação digital em suas organizações, me devolveu essa lembrança de um ângulo inesperado: percebi, em cada técnica apresentada, uma espécie de espelho da própria pesquisa que venho conduzindo. Porque conduzir uma pesquisa cartográfica pelo Brasil é, também, liderar uma transformação. Só que a transformação, aqui, não é de uma empresa ou de um setor, mas do próprio olhar de quem pesquisa. E é justamente aí que a semana ganhou um peso que eu não esperava.
Um dos desafios mais concretos desta pesquisa, e que o curso me ajudou a nomear com mais precisão, está no tamanho do território que me proponho a cartografar. Não é uma metáfora fácil: a Rede de Inovação para a Educação Híbrida (RIEH) tem núcleos espalhados por um país de dimensões continentais, e isso não é um detalhe secundário do desenho metodológico. É, na prática, um dos elementos mais desafiadores de toda a pesquisa. Cada visita de campo carrega consigo uma logística que vai muito além da entrevista em si: custos financeiros que precisam ser planejados com antecedência e, ainda assim, sofrem imprevistos; deslocamentos físicos que consomem dias inteiros só em trânsito; agendas que precisam ser negociadas, remarcadas, ajustadas conforme a disponibilidade de gestores e professores que têm suas próprias urgências; e, talvez o mais delicado de tudo, um exercício constante de diálogo e diplomacia com territórios que têm histórias, culturas institucionais e sensibilidades políticas muito distintas entre si.
Não é um desafio que se resolve de uma vez. É um desafio que se administra, semana após semana, núcleo após núcleo, com paciência e com uma boa dose de improviso responsável. E confesso que, antes desta semana de formação, eu enxergava esse desafio quase exclusivamente como um problema operacional, algo a ser resolvido com planilhas e planejamento. O curso me ajudou a perceber que ele também é, e talvez principalmente, um problema de liderança: como conduzir uma equipe de pesquisa, como sustentar relações de confiança com tantos territórios diferentes, como manter o rumo de um projeto que, por sua própria natureza cartográfica, se recusa a ficar parado.
Aprendi técnicas de gestão de mudança, de comunicação estratégica, de tomada de decisão em contextos de incerteza, e enquanto eu absorvia cada uma delas, um exercício silencioso ia acontecendo em paralelo: eu as testava, mentalmente, contra os episódios que já vivi em campo. Contra o núcleo que ainda não foi inaugurado oficialmente, mas já funciona a todo vapor. Contra a equipe que reconfigura estúdio, câmeras e microfones em tempo real, sem protocolo prévio, porque a demanda dobrou de um dia para o outro. Contra a gestora que insiste numa definição rígida de um conceito que o próprio território já pratica de outras formas. Cada técnica de liderança em transformação digital que eu aprendia parecia, de algum modo, já ter sido ensaiada, empiricamente, por essas pessoas que venho entrevistando.
E isso me leva a algo que considero, de fato, o ganho mais significativo desta semana: repensar como as políticas públicas são planejadas e desenvolvidas. Há uma tentação, na formulação de políticas educacionais de escala nacional, de tratar a transformação digital como um pacote a ser distribuído, um conjunto de diretrizes e prazos que, uma vez publicados, resolvem o problema. O curso, ironicamente pensado para o mundo corporativo, mas em diálogo direto com o que venho observando no campo público, deixou claro que transformação não se decreta. Ela se lidera. E liderar, aqui, significa escutar antes de prescrever, testar antes de escalar, aceitar que cada território vai responder de um jeito distinto à mesma diretriz, porque cada território já chega com sua própria história de tentativa e erro.
É curioso perceber como pesquisa vai tomando forma à medida que vai sendo desenvolvida. Eu não vim para este curso buscando insumos para minha tese ou para o relatório de pós-doutorado. Vim buscando ferramentas de gestão para outros contextos da minha vida acadêmica e profissional. Mas a pesquisa, quando já está madura o suficiente, tem esse jeito de se infiltrar em tudo que fazemos: ela reaparece onde menos esperamos, ela puxa fios que pareciam desconectados e os costura em um mesmo tecido de sentido. Voltei do curso enxergando minha própria pesquisa de um lugar um pouco mais alto, com uma visão um pouco mais panorâmica sobre o que está explícito, os dados que colho, as falas que transcrevo, os mapas que desenho, mas também sobre o que fica implícito: as tensões de poder entre rede e território, as subjetividades de cada gestor que decide, apesar da falta de portaria, apesar da falta de estrutura, seguir formando e produzindo.
Talvez seja esse o maior aprendizado desta semana de formação: nem todo insumo de pesquisa vem do campo, da entrevista, do núcleo visitado. Às vezes ele vem de uma sala de aula sobre um tema aparentemente distante, e o trabalho do pesquisador cartógrafo é justamente esse: manter-se aberto, disponível para ser afetado também fora do território que mapeia. Foi o que esta semana me proporcionou. Uma pausa que não foi pausa. Um desvio que, no fim, reconduziu o mapa a um traço mais afinado com a complexidade que ele tenta representar.
Os desafios da dimensão geográfica da RIEH continuam aí, e não vão desaparecer com uma semana de curso. Mas talvez eu tenha voltado com mais ferramentas simbólicas para lidar com eles: mais clareza sobre o que significa liderar um processo de transformação em rede, mais paciência com o tempo que a maturação de uma pesquisa exige, e mais atenção ao que se diz e ao que fica em silêncio, dentro e fora do campo.
Seguimos formando, seguimos cartografando.
terça-feira, 18 de agosto de 2026
Jogos narrativos em sala de aula: o que eles têm a ensinar (e o que exigem de cuidado)
The Last of Us
Life is Strange
O padrão Telltale
Uma síntese rápida:
O que fica dessa análise?
domingo, 16 de agosto de 2026
Uma equipe entrosada e uma aposta na recomposição das aprendizagens
Diário de bordo · Visita ao Núcleo · Campo Grande, MS
Equipe entrosada, equipe convicta — foi essa a impressão que levamos da visita.
Seguimos cartografando.



