Hoje é um daqueles dias que me fazem lembrar por que escolhi ser professor e pesquisador. Estarei no evento da Fapeal — a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas — para encontrar estudantes do ensino médio da rede pública de todo o estado, participantes do programa Pibic Jr, uma iniciativa que reúne a Secti, a própria Fapeal e a Seduc.
São adolescentes e jovens que, muitas vezes, ainda não percebem o quanto já fazem parte do mundo da ciência. Minha fala de hoje gira em torno de uma pergunta simples, mas profunda: o que a pesquisa científica tem a ver com você — agora, no ensino médio, e lá na frente, no seu futuro?
"Pesquisar não é um privilégio de poucos. É um jeito de ver o mundo com mais perguntas do que respostas prontas — e isso transforma qualquer pessoa."
A iniciação científica no ensino médio não é apenas um item no currículo. Ela desenvolve habilidades que nenhuma aula expositiva consegue ensinar sozinha: a curiosidade sistemática, a tolerância à incerteza, a capacidade de argumentar com evidências. Quem aprende a pesquisar aprende, antes de tudo, a pensar.
De Alagoas para o mundo — e o mundo nos cita
Encerro esta postagem com algo que gosto de mostrar quando falo com estudantes alagoanos, porque acredito que precisa ser dito em voz alta: produzimos ciência relevante daqui.
Em 2021, publiquei um artigo em coautoria com colegas portugueses — Paulo Marinho e Preciosa Fernandes — na revista internacional Distance Education, sobre o portfólio digital como estratégia de avaliação no ensino superior. O estudo nasceu aqui, em Maceió, na Ufal.
Alcance global, origem alagoana
O artigo The digital portfolio as an assessment strategy for learning in higher education foi citado em 13 países nos cinco continentes. Ele está disponível em: tandfonline.com/doi/abs/10.1080/01587919.2021.1911628
Conto isso não para me gabar, mas para dizer às estudantes e aos estudantes de hoje: a geografia não limita o alcance das suas ideias. Você pode estar numa escola pública de Maceió, de Palmeira dos Índios, de Santana do Ipanema — e ainda assim produzir conhecimento que o mundo vai ler, citar e usar.
É para isso que o Pibic Jr existe. É para isso que a pesquisa importa. Nos vemos hoje, Alagoas.

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