domingo, 16 de agosto de 2026

Uma equipe entrosada e uma aposta na recomposição das aprendizagens

 Diário de bordo · Visita ao Núcleo · Campo Grande, MS

A visita ao Núcleo de Inovação para Educação Híbrida de Mato Grosso do Sul (NIEHMS) no última sexta-feira (14/08/2026) nos revelou uma dimensão que, embora sempre estivesse ali de algum modo, ainda não havíamos percebido de forma tão concreta nos outros núcleos visitados: a produção de material didático como eixo estruturante de um núcleo inteiro.

Com uma equipe de nove pessoas (entre gestão, professores, editores e técnicos), o NIEHMS tem se organizado em torno da produção de materiais para a recomposição das aprendizagens. Vale abrir um parêntese aqui, porque o termo aparece com frequência no nosso campo e merece contexto: recomposição das aprendizagens é o conjunto de estratégias pedagógicas voltadas a recuperar conhecimentos e habilidades que os estudantes deveriam ter desenvolvido, mas que ficaram comprometidos — sobretudo no período pós-pandemia. No plano nacional, essa agenda ganhou corpo institucional com o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens, do Ministério da Educação, e encontra respaldo estrutural no Novo Fundeb (Lei nº 14.113/2020), que vincula parte da complementação de recursos da União (a chamada complementação VAAR) a indicadores de resultado, entre eles justamente o enfrentamento das defasagens de aprendizagem. É nesse chão legal e político que o trabalho de Campo Grande se apoia.

E a RIEH tem papel significativo neste conjunto de estratégias em torno da recomposição das aprendizagens. 

O foco do núcleo, concretamente, tem sido oferecer aos professores de Língua Portuguesa e Matemática uma ferramenta de educação Híbrida; um material pensado não para substituir o professor, mas para lhe dar um terreno de prática, um espaço onde possa exercitar e aprimorar estratégias educacionais que a Educação Híbrida propõe.

E aqui vem um achado que nos deixou particularmente encantados: para apresentar esse material, o núcleo cria personagens no estilo de história em quadrinhos, que conduz o conteúdo nas gravações. É uma escolha de linguagem que não é apenas estética: ela dialoga diretamente com o universo dos adolescentes, com a cultura dos games e das HQs que já faz parte do repertório visual dessa geração. Em vez de tentar traduzir um conteúdo formal em uma linguagem que soa distante, o núcleo optou por ir até onde o estudante já está — e isso, para um grupo que pensa Educação Híbrida, é coerente até a raiz.

E fizeram até o meu avatar: 


Um dado chamou nossa atenção: o NIEHMS ainda não foi inaugurado oficialmente, como já aconteceu em outros núcleos da rede; mas já está em pleno funcionamento, e caminha rápido. Já há previsão de instalação de um segundo núcleo, em outro espaço físico, e os materiais para essa nova estrutura já chegaram. Essa distância entre o rito institucional e a prática cotidiana não é exatamente uma novidade na nossa cartografia; já a vimos, com outras cores, em mais de um território. Aqui, porém, ela convive com uma equipe que já produz, já forma, já se multiplica, antes mesmo de ganhar a cerimônia que a apresentaria oficialmente à rede.

Além da produção de materiais, observamos ações de formação de professores voltadas a um objetivo bem definido: que os docentes compreendam o conceito de Educação Híbrida e, a partir dele e não antes dele, desenvolvam suas próprias ações pedagógicas. É a formação puxando a prática, não o contrário.

Um último registro, quase um detalhe, mas que nos pareceu revelador: a equipe de Campo Grande está usando quase exclusivamente o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) da própria RIEH. Em um campo onde frequentemente encontramos improvisos, plataformas paralelas e soluções emprestadas de outros contextos, essa adesão quase integral ao ambiente da rede diz algo sobre a maturidade e a coesão desse núcleo.

Tive a oportunidade de acompanhar de perto uma gravação de Língua Portuguesa dentro do estúdio do NIEHMS, entre paredes acústicas, luzes e câmeras já ajustadas, testemunhando o cuidado técnico que sustenta cada material que sai dali. É nesses bastidores, mais do que no produto finalizado, que a gente entende o tanto de organização e de intenção que uma equipe pequena consegue sustentar quando está mesmo entrosada.

Equipe entrosada, equipe convicta — foi essa a impressão que levamos da visita.

Seguimos cartografando.


Um comentário:

Ana Luiza disse...

Muito bom saber que, ao redor do país, outras pessoas se preocupam com a Educação Híbrida, que vem conquistando cada vez mais seu espaço entre toda a comunidade escolar. Adorei a notícia.

p.s. estão querendo revelar a idade do professor Fernando com o cabelinho branco 🫣🤭