Vamos ao tema do diário de bordo mais uma vez?
É que muitas vezes, orientandos (estudantes da iniciação científica, graduandos em fase de TCC, mestrandos ou doutorandos) me perguntam como fazer um diário de bordo. As orientações que apresento não constituem um manual ou conjunto rígido de regras, mas sim um conjunto de dicas construídas ao longo do tempo, resultado de minhas próprias experiências, reflexões e tomadas de decisão no uso constante desse instrumento. Trata-se, portanto, de um compartilhamento de práticas que têm me acompanhado na pesquisa e que podem servir de inspiração para quem deseja iniciar ou aprimorar seu próprio diário de bordo.
Aqui vão 10 dicas práticas para planejar e utilizar um diário de bordo em pesquisa:
1. Defina o propósito e o formato do diário desde o início
Antes de começar a escrever, clarifique por que você vai usar o diário (por exemplo, documentar etapas de uma pesquisa, registrar observações de campo, refletir sobre decisões metodológicas) e escolha um formato: físico (caderno capa dura) ou digital (ferramentas como Google Docs, Evernote, Notion etc.).
2. Comece com uma página de identificação
Logo nas primeiras páginas inclua dados básicos do projeto:
* Tema e título provisório
* Seu nome e dos participantes
* Nome do orientador
* Instituição e ano
Isso dá contexto cronológico ao que será registrado.
3. Use uma estrutura cronológica clara
Registre sempre data, hora e local de cada entrada e escreva os eventos em ordem cronológica. Isso garante que, no futuro, você possa reconstruir exatamente o andamento da pesquisa.
4. Registre ações, observações e decisões
Não anote só o que aconteceu, mas também como foi feito: atividades realizadas, métodos escolhidos, resultados parciais, problemas encontrados e como você lidou com eles.
5. Inclua reflexões e análises pessoais
Além do registro factual, dedique espaço para refletir sobre suas decisões, dúvidas, dificuldades e insights. A reflexão crítica alimenta a análise e fortalece a compreensão do processo investigativo.
6. Registre tudo, inclusive fracassos e imprevistos
Nenhuma pesquisa são apenas flores... Não descarte registros quando algo não der certo: falhas, tentativas frustradas ou desvios do plano são parte valiosa do processo e podem revelar caminhos ou limitações metodológicas.
7. Use anotações visuais e multimodais
Se for relevante ao seu projeto, acrescente esboços, mapas, fotos, gráficos e esquemas, especialmente em pesquisas de campo ou que envolvem variações espaciais e conceituais. No contexto cartográfico, por exemplo, desenhos e mapas podem ser uma forma de registrar “movimentos e intensidades” da pesquisa.
8. Releia e revise periodicamente
O diário não é só uma coleção de notas: ele deve ser um instrumento ativo de análise. Releia entradas anteriores para identificar padrões, ajustar hipóteses ou detectar linhas de fuga no desenvolvimento da pesquisa.
9. Estabeleça uma rotina de escrita
Para que o diário não “esfrie”, associe a escrita a um gatilho consistente (por exemplo, ao final de cada dia de campo, ao concluir uma etapa específica) e defina uma periodicidade mínima para as sessões de registro.
Não caia na armadilha que vai lembrar de tudo uma semana, ou um mês depois...
10. Integre o diário a outras etapas da pesquisa
Use o diário como fonte para relatórios finais, apresentações ou artigos. Ele pode servir de base para formulários de relatórios mais formais ou resumos, além de facilitar a comunicação com orientadores e colegas ao tornar explícita sua trajetória de pesquisa.
Dicas Extras (Boas Práticas)
* Seja consistente na legenda e na terminologia que usa (datas, títulos de seções, notas pessoais). Isso facilita consultá-lo depois.
* Se optar pelo formato digital, organize pastas e backups regulares para evitar perda de dados.
* Para projetos em grupo, estabeleçam regras de escrita e revisão conjunta, assim todos contribuem de forma ordenada.

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