Participei ontem de uma mesa-redonda na Jornada Pedagógica da SEMED Maceió, ao lado da Profa. Dra. Lillian Ferreira, com mediação da Profa. Me. Josefa Kelly de Oliveira. Minha contribuição ao debate teve como eixo central o Pensamento Computacional como competência essencial para o desenvolvimento integral dos estudantes no século XXI, em consonância com os marcos normativos que hoje orientam a educação básica brasileira .
Iniciei minha fala problematizando uma questão-chave: “E se nossos alunos dominarem tecnologias, mas não souberem pensar com elas?”. A provocação busca deslocar o foco do simples uso de ferramentas digitais para a necessidade de desenvolver competências cognitivas e metacognitivas que permitam aos estudantes agir criticamente, tomar decisões e resolver problemas em contextos reais e complexos. O problema, portanto, não é a tecnologia em si, mas o uso acrítico, dependente e automatizado que pode emergir quando tais competências não são trabalhadas de forma intencional .
Nesse sentido, destaquei o Pensamento Computacional não como um sinônimo de programação ou tecnologia, mas como uma forma de pensa. Utilizando metáforas narrativas conhecidas, como a ideia do “mundo real” e do “mundo invertido”, argumentei que pensar computacionalmente significa ser capaz de entrar na lógica interna dos problemas, compreendendo suas regras, estruturas e relações. Processos como decomposição, reconhecimento de padrões, abstração e elaboração de algoritmos foram apresentados como habilidades cognitivas fundamentais, aplicáveis a diferentes áreas do conhecimento e situações da vida cotidiana .
Outro ponto central da fala foi a relação entre Pensamento Computacional, estratégia pedagógica e trabalho colaborativo. Assim como em situações complexas que exigem planejamento, análise de cenários e ajustes constantes de rota, a escola precisa ser compreendida como um espaço de desenvolvimento do raciocínio lógico, do pensamento crítico, da metacognição e da colaboração. Nesse contexto, jogos, simulações e desafios (com ou sem tecnologias digitais) foram apresentados como verdadeiros laboratórios de pensamento, capazes de revelar como os alunos pensam, antecipam ações, lidam com erros e constroem soluções .
Também estabeleci uma conexão direta entre Pensamento Computacional e Educação Inclusiva, especialmente no diálogo com estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ao enfatizar conceitos como estrutura, clareza e previsibilidade, destaquei que pensar computacionalmente também é reconhecer diferentes formas de perceber e organizar o mundo. Não se trata de adaptar o aluno ao método, mas de adaptar o método ao modo de pensar do aluno, reafirmando o compromisso com uma educação verdadeiramente inclusiva .
Encerrando a reflexão, defendi uma educação que valorize o erro como parte do processo, desenvolva autonomia e forme sujeitos pensantes. O Pensamento Computacional foi apresentado, assim, como competência transversal, prática cotidiana e atitude pedagógica. Mais do que buscar apenas respostas corretas, o desafio lançado aos educadores foi outro: perguntar aos estudantes como eles pensaram para chegar às suas respostas.
Como destaquei ao final da fala, ensinar Pensamento Computacional é ensinar nossos alunos a não apenas assistir à série da vida, mas a compreender o roteiro. Momentos como a mesa-redonda da Jornada Pedagógica da SEMED reafirmam a potência do diálogo formativo e da reflexão coletiva na construção de uma educação pública de qualidade, crítica e socialmente comprometida.

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