quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Tecnologias digitais e inclusão no AEE: um encerramento de ano com novos horizontes.


Estamos no último dia do ano e acaba de ser publicado o artigo “O potencial das tecnologias digitais para o Atendimento Educacional Especializado (AEE)”, um texto que aproxima, de forma muito concreta, inclusão, tecnologia e prática docente na escola básica. Escrito por Maria Julia Rodrigues Amaro, Lílian Kelly de Almeida Figueiredo Voss e Fernando Silvio Cavalcante Pimentel, o artigo nasce da experiência de uma oficina formativa realizada pela Cied/Ufal com professores e cuidadores de Porto de Pedras/AL, articulando tecnologias digitais e analógicas ao trabalho das Salas de Recursos Multifuncionais.

A pesquisa, de abordagem qualitativa e experiencial, investiga como atividades colaborativas com tecnologias digitais podem apoiar docentes na escolha de artefatos adequados para adaptar o aprendizado de estudantes com necessidades educacionais especiais em classes comuns, atendidos pelo AEE. Ao dialogar com autores como Mantoan, Anderson e Morais & Queiroz, além da legislação brasileira de inclusão, o texto recusa o determinismo tecnológico e insiste na necessidade de formação continuada, diagnóstico cuidadoso e planejamento pedagógico contextualizado.

A oficina descrita no artigo apresenta um repertório de possibilidades: uso de tecnologias assistivas, recursos de comunicação aumentativa e alternativa, Realidade Aumentada e Realidade Virtual, plataformas de aprendizagem on-line e jogos, sempre articulados a situações reais de sala de aula e às especificidades dos estudantes. Os resultados apontam que essas experiências não apenas ampliam o acesso a conteúdos, mas também favorecem engajamento, cooperação, comunicação e desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e emocionais, reforçando a importância da formação continuada para o AEE.

Para quem atua com educação inclusiva, tecnologias digitais ou gestão de redes públicas, a leitura oferece elementos para pensar políticas de formação, investimento em infraestrutura e, sobretudo, construção de uma cultura escolar que entende a tecnologia como mediação para participação plena, e não como fim em si mesma. Encerrar o ano com essa publicação é, também, um convite a projetar próximos passos: seguir investindo em experiências formativas que combinem pesquisa, prática e compromisso ético com a inclusão, no AEE e para além dele.

AMARO, Maria Julia Rodrigues; VOSS, Lílian Kelly de Almeida Figueiredo; PIMENTEL, Fernando Silvio Cavalcante. O potencial das tecnologias digitais para o atendimento educacional especializado (AEE). Revista FAFIRE, Recife, v. 18, n. 1, p. 15–28, 2025. Disponível em: https://fafire.emnuvens.com.br/revista/article/view/870. Acesso em: 31 dez 2025.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Narrativas digitais: uma análise webgráfica sobre os recursos educacionais digitais (Infográfico)

 


Narrativas digitais: uma análise webgráfica sobre os recursos educacionais digitais

Por quais razões ler o artigo “Narrativas digitais: uma análise webgráfica sobre os recursos educacionais digitais”?

A presença das tecnologias digitais na educação já não é novidade — o desafio atual está em como utilizá-las de forma significativa, crítica e formativa. É exatamente nesse ponto que o artigo “Narrativas digitais: uma análise webgráfica sobre os recursos educacionais digitais”, de Rosely Maria Morais de Lima Frazão, Fernando Silvio Cavalcante Pimentel e Maria Aparecida Pereira Viana, se torna uma leitura indispensável .

Publicado na EDUCA – Revista Multidisciplinar em Educação (2025), o estudo investiga como a produção de narrativas digitais em blogs contribui para a aprendizagem sobre recursos educacionais digitais no contexto da pós-graduação em Educação. A partir de uma análise webgráfica cuidadosa, o artigo revela evidências concretas de que narrar experiências no ambiente digital vai muito além do registro: trata-se de um potente dispositivo pedagógico e formativo.

Por que você deve ler este artigo?

👉 Para compreender as narrativas digitais como estratégia pedagógica
O texto mostra como as narrativas digitais articulam autoria, protagonismo e reflexão, integrando diferentes mídias — vídeos, podcasts, hiperlinks, mapas conceituais, infográficos — aos processos de ensino e aprendizagem.

👉 Para conhecer resultados de uma pesquisa atual e aplicada
Com base na análise de 85 narrativas publicadas em blogs acadêmicos, o estudo apresenta dados consistentes sobre quatro grandes contribuições das narrativas digitais: conexão, compartilhamento, desenvolvimento de habilidades e registro de memórias.

👉 Para refletir sobre práticas formativas na cultura digital
O artigo dialoga com temas centrais da educação contemporânea, como cultura digital, currículo, autoria, colaboração, multimodalidade e uso ético das tecnologias — incluindo discussões emergentes sobre o uso de Inteligência Artificial na produção textual.

👉 Para inspirar práticas docentes e pesquisas futuras
Se você é professor(a), pesquisador(a) ou estudante da área da Educação, encontrará no texto referências teóricas sólidas e exemplos concretos que podem inspirar novas propostas pedagógicas e investigações acadêmicas.

👉 Para repensar o papel do blog como espaço de aprendizagem
O estudo reforça o blog como um ambiente formativo potente: um espaço de escrita reflexiva, socialização do conhecimento, construção de identidade acadêmica e memória formativa.

📌 Em síntese, este artigo é uma leitura essencial para quem deseja compreender como as narrativas digitais podem transformar experiências educativas, promovendo aprendizagens mais significativas, autorais e conectadas com os desafios da educação na cultura digital.

📖 Boa leitura e boas narrativas!



FRAZÃO, R. M. M. L.; PIMENTEL, F. S. C. P.; VIANA, M. A. P. NARRATIVAS DIGITAIS: UMA ANÁLISE WEBGRÁFICA SOBRE OS RECURSOS EDUCACIONAIS DIGITAIS. EDUCA - Revista Multidisciplinar em Educação, [S. l.], v. 12, p. 18, 2025. DOI: 10.26568/2359-2087.2025.8396. Disponível em: https://periodicos.unir.br/index.php/EDUCA/article/view/8396. Acesso em: 29 dez. 2025.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Estágio de docência na Educação Superior: uma gamificação experiencial (Infográfico)



Estágio de Docência na Educação Superior: uma gamificação experiencial
Rosely Maria Morais de Lima Frazão · Fernando Silvio C. Pimentel · Maria Aparecida Pereira Viana
DOI: 10.5281/zenodo.17274830

Estágio de docência na Educação Superior: uma gamificação experiencial

Artigo publicado apresenta resultados de um estágio no Ensino Superior.

Por dentro do artigo

O artigo “Estágio de docência na Educação Superior: uma gamificação experiencial” analisa uma experiência de estágio em que a disciplina “Educação e Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação”, em um curso de Pedagogia da UFAL, foi organizada como um plano de disciplina gamificado, com fases, missões e pontuações articuladas a atividades presenciais e em AVA. A investigação, de abordagem qualitativa e tipologia experiencial, toma registros pedagógicos, sociais, afetivos, contextuais, pessoais, conceptuais e futuros como matéria-prima para compreender a docência na Educação Superior em diálogo com a cultura digital.

Por que vale a leitura?

- Porque evidencia, com rigor teórico (Freire, Imbernón, Kolb, Nóvoa, Schlemmer, Pimentel, entre outros), que gamificação não se reduz a “usar tecnologia”, mas implica reconfigurar objetivos, metodologias, recursos e avaliação na formação de professores.

- Porque mostra, de forma situada, como um plano gamificado aumenta engajamento, participação, colaboração e autonomia discente, ao mesmo tempo em que desloca a avaliação de uma lógica apenas cognitiva para incluir criatividade, trabalho em equipe, resolução de problemas e autoavaliação.

Contribuições para quem forma professores

- O texto oferece descrições concretas das fases da disciplina (episódios, desafios, tarefas, fóruns, escape room, uso de vídeos, QR codes, ambientes virtuais, jogos analógicos), permitindo que o leitor transponha a experiência para outros contextos, cursos e componentes curriculares.

- A análise das experiências diretas e indiretas do estágio explicita tensões e lacunas formativas – letramento digital, desenho de estratégias avaliativas, mediação docente em contextos híbridos e multimodais – e sugere caminhos para repensar a formação inicial e continuada com tecnologias digitais.

Para quem este artigo é especialmente relevante

- Docentes universitários que desejam planejar disciplinas gamificadas, com critérios claros de pontuação, rankeamento e feedback, alinhados a objetivos formativos, encontrarão no texto um modelo detalhado de plano de disciplina e de planos de aula gamificados.

- Pesquisadores e pós-graduandos que estudam gamificação, metodologias ativas, estágio de docência e formação para a cultura digital encontrarão categorias analíticas, limitações do estudo e indicações de pesquisa futura (interdisciplinaridade, novas ferramentas de coleta, ampliação de contextos) que podem alimentar projetos em andamento.

Um convite à reflexão e à ação

Mais do que relatar uma experiência pontual, o artigo defende a gamificação como metodologia capaz de tensionar a própria identidade docente, ao convidar futuros professores a experimentarem “novas versões” de ser professor na cultura digital, articulando pesquisa, colaboração e inovação pedagógica. A leitura interessa a quem busca pensar o estágio de docência não como mera exigência burocrática, mas como espaço de invenção curricular, experimentação metodológica e aprofundamento crítico sobre o lugar das tecnologias digitais na Educação Superior.

FRAZAO, R. M. M. L. ; PIMENTEL, F. S. C.; VIANA, M. A. P. ESTÁGIO DE DOCÊNCIA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: UMA GAMIFICAÇÃO EXPERIENCIAL. PAIDÉI@ (SANTOS), v. 17, p. 79-99, 2025. Disponível em: https://periodicos.unimesvirtual.com.br/index.php/paideia/article/view/1796 Acesso: 27 dez 2025.



quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Aspectos da Cultura Digital nos planejamentos pedagógicos

 




Novo artigo publicado sobre Educação Híbrida e Cultura Digital

Feliz Natal!

É com grande alegria que compartilho uma excelente notícia neste fim de ano: foi publicado o artigo “A Educação Híbrida como Possibilidade de Inclusão da Cultura Digital nos Planejamentos Pedagógicos”, resultado de uma pesquisa realizada em coautoria com Fernando Nascimento Costa Neto e disponibilizado no Video Journal of Social and Human Research (v.4, n.1, 2025).

O estudo analisa, por meio de uma Revisão Sistemática da Literatura, como a Educação Híbrida — conceito recentemente incorporado à legislação brasileira — pode favorecer a integração da Cultura Digital nos planejamentos pedagógicos. A pesquisa identifica que muitos professores já vêm utilizando recursos digitais em suas práticas, seja de forma espontânea, seja por meio de propostas estruturadas, evidenciando um caminho de transformação que se fortalece no cotidiano das escolas e universidades.

O artigo também discute como o avanço das Tecnologias Digitais e a ubiquidade da Cultura Digital impactam diretamente as formas de aprender, ensinar e se relacionar com o conhecimento. Ao mesmo tempo, aponta para a necessidade de que os planejamentos pedagógicos incorporem de modo consciente e criativo estratégias que dialoguem com esse novo cenário — especialmente quando falamos de engajamento, inovação e construção de aprendizagens significativas.

Por que vale a leitura?

  • Apresenta uma síntese atualizada dos debates sobre Educação Híbrida no Brasil;
  • Conecta esses debates às transformações da Cultura Digital na sociedade contemporânea;
  • Oferece reflexões sobre práticas pedagógicas, engajamento e inovação;
  • Traz referências importantes para quem pesquisa, ensina ou atua na gestão educacional.

Para quem se interessa por tecnologias educacionais, cultura digital, inovação pedagógica e políticas públicas de educação, esta leitura certamente acrescentará novas perspectivas.

Acesse o artigo completo: https://vjshr.uabpt.uema.br/index.php/ojs/article/view/63

Desejo a todos um Natal de paz, luz e esperança, e que 2026 seja um ano de novas ideias, pesquisa viva e práticas educativas cada vez mais conectadas às necessidades do nosso tempo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Mensagem de Natal – Grupo de Pesquisa Comunidades Virtuais Ufal

Estamos chegando ao Natal, que não é apenas uma data, mas um tempo: o kairós que irrompe no cronos, lembrando-nos que a eternidade visita o instante.

Neste Natal, que possamos celebrar não apenas a beleza luminosa das tecnologias que investigamos, dos jogos digitais e analógicos à robótica, da realidade aumentada à virtual, passando por todas as interfaces que nos conectam, mas também a força simbólica que as atravessa: a ludicidade.

O espírito lúdico, tão presente nos brinquedos e brincadeiras que marcam nossa memória coletiva, é também um convite à imaginação, ao encontro e à criação de novos mundos possíveis. No entanto, que esta alegria não se restrinja apenas aos espaços de conforto que muitos de nós habitamos. Que ela possa alcançar aqueles que, por barreiras políticas, pela dor das guerras, pelas desigualdades ou pela ausência de humanidade, encontram-se distantes do direito ao brincar, ao sonhar e ao simplesmente existir com dignidade.

O Natal nos lembra a humildade da humanidade: aquela que se revela na simplicidade, no cuidado e no reconhecimento do outro. Que, como grupo de pesquisa, possamos renovar nosso compromisso ético de compreender e transformar a cultura digital de modo que ela expanda horizontes, inclua, acolha e faça florescer possibilidades mais humanas.

Que o espírito natalino nos inspire a continuar investigando, criando e compartilhando caminhos onde o lúdico seja ponte, e nunca fronteira.

Feliz Natal e um Ano Novo de descoberta, sensibilidade e esperança para todos nós!

2026 vai ser um ano especial, com a sua participação!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Diário cartográfico da educação híbrida: quatro meses de caminhada com a RIEH

Nestes quatro primeiros meses de pesquisa com a Rede de Inovação para a Educação Híbrida (RIEH), muitas linhas de força começaram a se desenhar, revelando encontros, tensões e possibilidades que atravessam a educação básica pública no Brasil. Este blog passa a funcionar como um verdadeiro diário de pesquisa, um espaço cartográfico de registro vivo das impressões, deslocamentos e aprendizados que emergem no percurso investigativo.

Aqui trazemos nossas primeiras impressões a partir dos dados disponibilizados no Observatório da RIEH (https://rieh.mec.gov.br/observatorio). E como o Observatório é dinâmico, é importante destaca que a análise foi realizada a partir dos dados disponíveis hoje (18/12/2025).

Sendo assim, a "paisagem" que se desenha no Observatório da RIEH é a de um território em movimento, tecido por fluxos de políticas públicas, infraestrutura tecnológica, formação docente, produção de conteúdos e uso efetivo de ambientes digitais. Esse território não se oferece como um mapa pronto, mas como um plano em constante atualização, no qual indicadores numéricos funcionam como marcos provisórios de uma cartografia que acompanha a emergência da educação híbrida nas redes públicas brasileiras.

Linhas de força da RIEH  

Os “grandes números da RIEH”, tal como organizados no Observatório, configuram uma primeira entrada cartográfica: programas estruturantes, núcleos de inovação, laboratórios multimídia, cursos, conteúdos e usuários aparecem como pontos de condensação de forças, indicando onde a política se territorializa e ganha corpo nas redes. Esses dados não se limitam a quantificar esforços; eles desenham intensidades – concentrações de ações, assimetrias entre redes e diferentes ritmos de implementação – que permitem acompanhar como a política nacional se traduz em práticas locais de educação híbrida.

Nesse plano, a RIEH se inscreve como desdobramento da Política Nacional de Educação Digital (Lei 14.533/2023) e da Política Nacional para Recuperação das Aprendizagens, fazendo com que cada indicador do Observatório remeta a um campo mais amplo de disputas em torno de inclusão digital, inovação pedagógica e equidade. A cartografia, aqui, não separa números e narrativas: entende os indicadores como traços de um processo em curso, em que sujeitos, tecnologias e normas se agenciam na reinvenção do cotidiano escolar.

Organização dos indicadores como mapa  

A forma como o Observatório organiza os indicadores – “Grandes números da RIEH”, “Implementação da infraestrutura tecnológica”, “Produção de conteúdos” e “Acesso e utilização dos sistemas” – opera como um mapa conceitual que já faz uma leitura do fenômeno. Cada eixo corresponde a uma região da cartografia:

- a infraestrutura tecnológica marca o chão material da política (núcleos, laboratórios, conectividade);  

- a produção de conteúdos desenha os repertórios pedagógicos que circulam na rede;  

- o acesso e a utilização evidenciam os modos como professores e estudantes habitam esses ambientes;  

- os grandes números articulam o conjunto, oferecendo uma visão de escala nacional.  

Numa perspectiva cartográfica, esses eixos não são caixas estanques, mas linhas que se cruzam e se dobram: a mesma escola pode aparecer simultaneamente como ponto de expansão da infraestrutura, foco de intensa produção de recursos educacionais digitais e, ao mesmo tempo, como lugar de baixa apropriação docente, produzindo linhas duras e linhas de fuga na política. O Observatório, ao disponibilizar essas camadas, constitui um plano de consistência no qual o pesquisador pode traçar percursos singulares, conectando redes, estados, programas de formação e padrões de uso em múltiplas combinações.

Cartografar fluxos, não estados  

Assumir a cartografia como método implica deslocar o olhar da busca por “resultados finais” para o acompanhamento dos movimentos que atravessam a RIEH. Os indicadores de cursos, conteúdos disponíveis, usuários cadastrados e atividades realizadas, por exemplo, quando lidos longitudinalmente, permitem observar acelerações, estagnações e reconfigurações das redes, revelando momentos de intensificação da política e zonas de rarefação.

Nesse processo, a própria categorização “concluído”, “em andamento” ou “não ativado” atribuída a ciclos, redes ou eixos funciona como marcador de trajetórias, e não como ponto de chegada. A cartografia acompanha esses estados como dobras provisórias de um campo em fluxo, permitindo problematizar por que certos entes federativos avançam na institucionalização da educação híbrida enquanto outros permanecem em suspensão, quais arranjos formativos sustentam o uso mais denso dos ambientes virtuais e em que medida a infraestrutura instalada se converte (ou não) em práticas pedagógicas inovadoras.

Entre infraestrutura, conteúdos e usos  

Os dados do Observatório que descrevem a implementação de núcleos de inovação e laboratórios escolares multimídia sinalizam uma aposta forte na materialidade da transformação digital, mostrando a expansão de espaços equipados para práticas híbridas em diversas redes. Ao lado disso, os números relativos à produção de recursos educacionais digitais e à oferta de cursos em ambientes virtuais indicam a constituição de uma ecologia de conteúdos que ultrapassa o livro didático e se articula com a cultura digital contemporânea.

Porém, é no eixo “Acesso e utilização dos sistemas” que a cartografia encontra um ponto crucial de análise: taxas de acesso, engajamento em cursos, participação em atividades e perfis de usuários revelam como esses dispositivos são efetivamente habitados por professores e estudantes. A distância, às vezes evidente, entre a robustez da infraestrutura e a intensidade de uso explicita linhas de tensão que passam pela formação docente, pela gestão do tempo escolar, pelas condições de conectividade dos estudantes e pelas culturas institucionais que podem favorecer ou bloquear a experimentação pedagógica.

A cartografia como dispositivo político-pedagógico  

Ao compilar e tornar públicos os indicadores da RIEH, o Observatório se institui como um dispositivo cartográfico que permite a gestores, docentes e pesquisadores reconfigurar o olhar sobre a educação híbrida no Brasil. Em vez de oferecer apenas um painel de resultados, o site abre um campo de problematização, em que mapas, gráficos e números podem ser lidos como pistas para narrar histórias de redes, escolas e sujeitos que se aproximam da cultura digital sob condições muito desiguais.

Nessa perspectiva, cartografar a RIEH a partir dos dados do Observatório é acompanhar como a educação híbrida se faz e se desfaz nos interstícios entre lei e prática, entre infraestrutura e uso, entre cursos ofertados e aprendizagens efetivamente produzidas. É tomar os indicadores como convites a novas linhas de pesquisa (qualitativas e quantitativas) que possam ir do plano nacional às micropolíticas do cotidiano escolar, alimentando a formulação de políticas públicas e práticas pedagógicas mais sensíveis às diferenças regionais, sociais e culturais que atravessam a escola pública brasileira.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Gestores em Transformação: a escola como ecossistema de aprendizagem

Tive a honra de realizar a palestra de encerramento do Curso de Aperfeiçoamento para Gestores com a palestra “Gestores em Transformação – A Escola como Ecossistema de Aprendizagem e os Desafios da Prática”, um momento de diálogo, escuta qualificada e reflexão coletiva sobre o papel da gestão educacional na contemporaneidade.

Partimos da compreensão de que a escola não é apenas uma organização administrativa, mas um ecossistema vivo, constituído por pessoas, relações, dados, políticas públicas e território. Nesse ambiente interligado, cada decisão tomada pela gestão impacta o todo. Por isso, gerir não é apenas administrar rotinas, mas articular sentidos, mediar interesses, sustentar o projeto pedagógico e cuidar das pessoas.

Ao longo da palestra, destaquei que o gestor não controla tudo, mas influencia tudo. Essa influência se manifesta nas escolhas cotidianas, na forma como os conflitos são mediados, como os dados são utilizados e como a comunicação se estabelece dentro da escola.

O curso como caminho formativo

Os dados do próprio curso reforçam a importância de processos formativos continuados. Com 737 gestores inscritos, superando significativamente o planejamento inicial, o curso demonstrou o quanto há demanda por espaços de aprendizagem que dialoguem com a prática real da gestão escolar.

A análise do aproveitamento ao longo dos módulos evidenciou tanto desempenhos consistentes de parte significativa dos cursistas quanto sinais de alerta, como oscilações nos conceitos intermediários e um percentual expressivo de evasão. Esses indicadores reforçam a necessidade de acompanhamento pedagógico sistemático, especialmente nos módulos finais, e de políticas formativas mais sensíveis às condições concretas de trabalho dos gestores  .

Os desafios da prática real

Entre os principais desafios destacados, emergiram três aspectos recorrentes na realidade da gestão educacional:

  • a falta de tempo diante do excesso de demandas;
  • a pressão por resultados associada à gestão de conflitos;
  • e as dificuldades no uso pedagógico das tecnologias digitais.

Esses desafios não se resolvem com improviso. Exigem governança educacional, entendida não como burocracia, mas como a capacidade de decidir bem, com responsabilidade, transparência, participação e foco no bem público.

Governança como caminho

Defendi que gestão sem governança se fragiliza. Atualizar a governança na prática implica investir em planejamento estratégico, uso qualificado de dados, trabalho colaborativo, comunicação clara, desenvolvimento de competências digitais e, sobretudo, ética e compromisso público. Ao final, reafirmei uma convicção que atravessou toda a palestra:

A qualidade da gestão aparece nas escolhas que fazemos todos os dias.

Agradeço profundamente aos cursistas, mediadores e à equipe organizadora pela escuta atenta, pelo compromisso com a educação pública e pela disposição em transformar a gestão escolar em uma prática cada vez mais consciente, colaborativa e humanizadora. Seguimos em caminho.



quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Implementing the Web Curriculum in Higher Education: Digital Technologies in the Internal Physical Education Games (JIEF)

 



This new article explores how the Web Curriculum can be implemented in concrete pedagogical practices in higher education by using digital technologies to design, manage and evaluate a large-scale university sports event.​

About the article
The paper “A implementação do Web Currículo em práticas pedagógicas no ensino superior: a utilização de tecnologias digitais na construção dos Jogos Internos de Educação Física (JIEF)” analyzes how the Internal Physical Education Games at UFAL – Campus Arapiraca became a living laboratory for developing future teachers’ digital competence.​
Published in the journal Corpoconsciência (v. 29, e20372, 2025), the article is authored by Douglas Henrique Bezerra Santos and Fernando Silvio Cavalcante Pimentel and is available in open access, with versions in Portuguese, English and Spanish.​

Focus and objectives
The study examines how the integration of the Web Curriculum and digital technologies supported the planning, communication and documentation of the 4th edition of JIEF, held in 2024.​
The main objective is to understand how this integration influences the planning, execution and assessment of a university event and what contributions it offers to initial teacher education in Physical Education.​

Digital ecosystem and methodology
From an experiential and qualitative perspective, the research analyzes artifacts such as Instagram posts and stories, Canva designs, Google Drive folders, WhatsApp groups, the Copa Fácil app, an AI-based time calculator, and Microsoft Word and Excel documents produced during the event.​
These tools formed an integrated digital ecosystem that enabled multimodal communication, collaborative management, real-time feedback and data-driven decision-making throughout the Games.​

Key findings and contributions
The article shows that the JIEF functioned as a powerful experiential laboratory for digital teacher competence, fostering student authorship, collaboration, multimodality and formative assessment in authentic contexts.​

It argues that implementing the Web Curriculum in higher education goes beyond simply adding tools; it reconfigures curriculum, evaluation and classroom practices by connecting technologies, content and educational management in a coherent way.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Hybrid Education: a dynamic and participatory educational ecosystem

To begin a thorough study on hybrid education, it is essential to clarify that this concept goes far beyond the simple combination of face-to-face teaching and distance learning. In view of the rapid technological and cultural transformations impacting education, it becomes crucial to understand hybrid education as a complex educational ecosystem, which integrates spaces, times, methodologies and technologies into a dynamic and collaborative system. Moreover, it is essential to explore the evolution of pedagogical practices, highlighting the shift from active methodologies — centered on the individual protagonism of the student — to participatory methodologies that emphasize the collective construction of knowledge and the active participation of all those involved in the teaching-learning process. This deeper understanding allows not only a theoretical grasp of the theme, but also guides the effective implementation of public policies and innovative educational practices, aligned with contemporary demands for flexibility, inclusion and engagement.

Hybrid education emerges as an innovative proposition that goes beyond the mere joining of face-to-face teaching and distance learning mediated by digital technologies. It is a multifaceted educational ecosystem that integrates spaces, times, methodologies and technologies, shaping a pedagogical environment that is dynamic, flexible and contextualized.

In Rede de Inovação para a Educação Híbrida (RIEH), hybrid education is defined as the planned combination and integration of face-to-face and non-face-to-face activities mediated by digital technologies, with the aim of extending educational times and spaces without losing student protagonism (Brasil, 2024; Lima, 2024). This definition — which I also defend — shows that hybrid education is more than a teaching model: it is an educational ecosystem where different environments (face-to-face, virtual, cultural, environmental) and methods articulate to promote continuous and meaningful learning experiences.

It is important to highlight that hybrid education is not reduced to online teaching combined with face-to-face work, as defined by Curtis J. Bonk & Charles Graham (2006). It involves innovation in curricular and pedagogical organization, expanding the flexibility for students to learn according to their rhythms and styles (Micheal B. Horn; Staker, 2015), and promoting teaching–learning processes that connect knowledge, practices and technologies in collaborative networks (George Siemens, 2004).

The hybrid education ecosystem is composed of physical and technological infrastructure — virtual learning environments (VLE), digital repositories, laboratories — and innovation nuclei that connect educational actors in an integrated network. Digital technologies are not merely utilitarian instruments, but part of the cultural and social environment that influences and is influenced by educational processes (Manuel Castells, 2003). Thus, digital culture and artificial intelligence become central elements to building innovative, inclusive and democratizing pedagogical practices.

In this sense, a historical conception must be revisited. Historically, active methodologies emerged to reposition the student as the protagonist of learning — encouraging them to become agents in the construction of knowledge through practices such as project-based learning, problem solving and group discussions. These methodologies, although often associated with the use of technologies, are based primarily on engagement and active construction of knowledge.

However, in the context of hybrid education, there is a shift towards participatory methodologies, which expand the focus from the individual student to collective participation and collaborative social practice (Araújo, 2018). Participatory methodologies are founded on four pillars: participation, sharing, collaboration and cooperation — promoting knowledge construction in environments of interaction between teachers and students who act together as mediators, organizers and agents of the educational process (Lima, 2024). This approach values the relationship between school knowledge and social practices, reinforcing an education embedded in real sociocultural contexts.

As we can see, implementing hybrid education requires — beyond technological infrastructure and internet access — a specialized techno-pedagogical training to prepare teachers and managers for dealing with the complexity of the hybrid ecosystem (Ferreira; Pimentel, 2023). Educational management must consider public policies that ensure digital inclusion, guarantee flexibility of spaces and times, and foster the effective participation of all subjects in the educational process.

The main challenge is to maintain continuous engagement and interaction among participants — a fundamental requirement for hybrid education to be effective (Pimentel et al., 2024). For this, it is essential to develop participatory methodologies that take into account the students’ contexts, promote synchronous and asynchronous contextualized interactions, and value active, critical participation of learners.

Thus arises the proposal to advance the conceptual understanding of hybrid education as an educational ecosystem — representing an integrated and innovative response to the contemporary demands of education in a highly digitalized and interconnected world. Its educational practice evolves from student protagonism in active methodologies to the collective, critical and participatory construction of knowledge. This educational model opens paths to a more inclusive, flexible and socially committed education, aligned with the principles of digital culture and active citizenship.


Here are some resources for further reading:

ARAÚJO, J. C. S. Da Metodologia Ativa à Metodologia Participativa. In: VEIGA, I. P. A. (Org.) Metodologia Participativa e as Técnicas de Ensino-aprendizagem. Curitiba: CRV 2017. p. 17-54.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB nº 2, de 13 de novembro de 2024. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio – DCNEM. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 14 nov. 2024. Disponível em: https://abmes.org.br/legislacoes/detalhe/4968/resolucao-cne-ceb-n-2 . Acesso em: 10 abr. 2025.

CASTELLS, M. A galáxia da internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

FERREIRA, L. F. S.; PIMENTEL, F. S. C. FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA INCORPORAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO SUPERIOR. Cadernos de Pesquisa, v. 30, n. 2, p. 303–321, 30 Jun 2023 Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/1706. Acesso em: 7 nov 2025.

GRAHAM, C. Blended learning systems: definition, current trends, and future directions. In C. J. Bonk & C. R.Graham (ORG.). The handbook of blended learning: global perspectives, local designs. San Francisco: John Wiley & Sons, Inc, p.136-149, 2006

HORN, M. B.; STAKER, H. Blended: Using Disruptive Innovation to Improve Schools. San Francisco, CA: Jossey-Bass, 2015.

LIMA, D. C. B. P. Educação Híbrida em Contexto com a RIEH: Conceito e Orientações Pedagógicas. Maceió: Edufal, 2024.

PIMENTEL, F. S. C.; RITA, L. P. S.; PINTO, I. M. B. S.; JUNIOR, N. B. dos S.; AMARO, M. J. R. Educação Híbrida na formação de gestores: uma visão experiencial dos impactos e desafios. EmRede - Revista de Educação a Distância[S. l.], v. 11, 2024. DOI: 10.53628/emrede.v11i.1080. Disponível em: https://www.aunirede.org.br/revista/index.php/emrede/article/view/1080. Acesso em: 7 nov. 2025.

SIEMENS, G. Elearnspace. Connectivism: A learning theory for the digital age. Elearnspace. org, p. 14-16, 2004. Disponível em: https://citeseerx.ist.psu.edu/document?repid=arep1&type=pdf&doi=f87c61b964e32786e06c969fd24f5a7d9426f3b4 Acesso em: 7 nov 2025.


A Formação de Pedagogos e os Desafios da Educação Não Formal

 


Acaba de ser publicado um novo artigo que aprofunda uma discussão essencial, mas ainda pouco explorada na formação docente: a preparação dos pedagogos para atuar na Educação Não Formal.

Embora as Diretrizes Curriculares apontem para uma formação ampla, o estudo revela que, na prática, os cursos de Pedagogia, incluindo o da Universidade Federal de Alagoas, continuam concentrados quase exclusivamente na Educação Formal. O resultado? Profissionais que ingressam no campo educativo carregando lacunas importantes, especialmente quando precisam intervir em espaços sociais, culturais e comunitários que não seguem a lógica escolar tradicional.

Neste artigo analisamos essas lacunas a partir de um Diagrama de Ishikawa e propomos uma Teoria da Mudança, organizando causas, evidências e caminhos possíveis para transformar essa realidade. Além disso, apresenta pesquisas nacionais e internacionais que mostram o potencial transformador da Educação Não Formal e defendem a urgência de integrá-la, de fato, à formação inicial dos pedagogos.

Por que vale a leitura?

  • Você entenderá como o currículo dos cursos de Pedagogia ainda marginaliza a Educação Não Formal.

  • Verá exemplos reais de como esse campo pode impactar positivamente crianças, jovens e comunidades.

  • Terá acesso a uma análise sólida, fundamentada e visualmente organizada sobre o porquê a formação atual não dá conta desse desafio.

  • E, principalmente, poderá refletir sobre como formar pedagogos mais preparados, críticos e conscientes da amplitude de sua atuação.

Acesse o artigo completo e descubra por que a Educação Não Formal precisa urgentemente deixar de ser coadjuvante na formação docente.

Disponível em: https://fafire.emnuvens.com.br/lumen/article/view/837

SANTOS, Débora Letícia da Silva; SANTOS, Maria Jordana Cavalcanti; PIMENTEL, Fernando Silvio Cavalcante. Formação de Pedagogos: uma análise da educação não formal no projeto pedagógico curricular do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Alagoas. Revista Lumen, Recife, v. 34, n. 1, p. 106–127, 2025. Disponível em: https://fafire.emnuvens.com.br/lumen/article/view/837. Acesso em: 7 dez. 2025.