quarta-feira, 17 de junho de 2009

Qualidade na educação



Creio que, assim como eu, o amigo leitor deste blog deve estar acompanhando a problemática da USP, quando seus alunos estão "em greve", com manifestações e atos de selvageria dignos de países que não levam a sério a educação. Digo isso pelo simples fato de que muitos estudantes não estão nem um pouco preocupados com os reais motivos da manifestação que realizam.

Vejamos bem, uma da críticas é justamente contra a implantação de cursos a distância pela USP. Ora ora!

Só se manifesta contra a EAD quem realmente não está envolvido no processo. Conheço a EAD e sei (e conheço) os educadores que fazem parte desta modalidade. Na sua grande maioria também são professores de cursos presenciais. Será que eles estão indo para a EAD pelo fato de serem os piores no presencial? Justamente é o contrário que está ocorrendo. São grandes pesquisadores, muitos credenciados como pesquisadores da CAPES...

Qualidade?

Será que o simples fato de um curso ser totalmente presencial lhe garante qualidade? Precisamos rever o que entendemos por qualidade... precisamos rever o que se deseja quando se busca qualidade.

Sei também que existem péssimos cursos na modalidade EAD, mas o mesmo pode ser dito para os cursos presenciais. Meus caros, não é a modalidade que garante qualidade, mas outras questões, assim como uma política pública que atenda aos anseios de todo o povo, como também o corpo docente qualificado e o corpo discente disposto a aprender.

É verdade que muitas instituições particulares, aproveitando de tudo para ganhar dinheiro, fazem da EAD uma verdadeira indústria, com uma educação totalmente instrucionista e não dialógicas.

Precisamos abrir os olhos destes estudantes, e de uma porção de educadores também! A EAD não toma o lugar de ninguém, até por que o público que procura cursos nesta modalidade, geralmente, são pessoas que já estão no mercado de trabalho, ou que estão distantes dos grandes centros acadêmicos.

Vem cá, será que somente aqueles que podem abster-se de tudo, que tem alguém para pagar tudo é que tem direito a educação? A profissionalização?

E você caro leitor deste blog? Qual a sua opinião sobre estas manifestações na USP? Qual a sua opinião sobre qualidade na educação, incluindo na EAD?

6 comentários:

JEAN disse...

"Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis; entretanto, são difíceis porque não ousamos empreendê-las"
Sêneca

Anônimo disse...

Muito boa colocação, meu caro Fernando. O que ocorre é o seguinte: a mídia de massa apenas nos transfere estórias surreais do que supostamente acontece e acabam formando opiniões. Dapi surge a falta de informação. Quem geralmente criitca severamente e até impede esta modalidade, geralmente nunca teve, nem ao menos sabe a sistemática da EaD. A culpa é de quem?

José Rosa Soares Filho disse...

Se de fato um dos motivos deste movimento é a alegação da 'qualidade' de cursos EAD, estão totalmente equivocados.
Vi na mídia também que eles estão querendo a saída da Reitora da USP (um dos itens de pauta). Outra questão muito delicada... E dizem que ela não está querendo negociar. Vai ser difícil negociar assim.

SIDCLAY disse...

Bem dito... O importante não é a modalidade, e sim a qualidade do curso. Hoje prefiro participar dos cursos a distância a os presenciais, principalmente pela disponibilidade de horário, e o interessante é que os últimos que participei exigiram mais do que muitos presenciais que fiz ou na verdade nem fiz, pois está presente no curso não indica a participação efetiva e nem de aprendizagem

Joel disse...

"[...]será que somente aqueles que podem abster-se de tudo, que tem alguém para pagar tudo é que tem direito a educação?" Boa pergunta professor.. Uma vez disseram q a EAD é um modelo de educcação marxista, eu concordo. É uma maneira de alguém que trabalha os dois horários conseguir seu nível superior.. Cada dia que passa encontro mais motivos para acreditar na EAD

Yuri disse...

Excelente posicionamento do blogueiro!

O texto me fez lembrar que podemos fazer uma grande escola debaixo de um pé de árvore e uma péssima escola num palácio.

Entendida a metáfora e adequadas as proporções com a questão da EAD, penso que a lembrança é pertinente.

Abraço!

Prof. Yuri Brandão