Diário de bordo. Salvador, 11 de agosto de 2026. 15h39. A bordo do voo GOL1916, com destino a Maceió.
Sobrevoando o Atlântico, após dois dias de atividades junto ao Núcleo de Inovação para a Educação Híbrida, sigo retornando para Maceió e já anotando aqui para nosso diário de pesquisa as descobertas e inquietações (ou insights) advindas da experiência de visitar mais um Núcleo desta Rede.
Em Salvador me encontrei com uma equipe entusiasmada, que reconhece a potencialidade da RIEH e sabe que a materialização do conceito de REDE e do conceito de Educação Híbrida não se determina pelo tempo, mas exige reconhecimento do que já se faz. É nesse sentido que posso dizer que o que é realizado em Salvador já é uma das inúmeras perspectivas do que é a RIEH.
A Bahia possui um programa, o EMITec (Ensino Médio com Intermediação Tecnológica), que conta com uma estrutura de estúdios nos quais são gravadas e transmitidas aulas da 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio, com atividades em três turnos. Para além das aulas, são produzidos Objetos de Aprendizagem, como e-books e jogos digitais, e ações que envolvem professores e estudantes, seja em sua própria localidade, seja no ambiente dos estúdios. Uma equipe de muitos professores e gestores está envolvida no planejamento, na produção e na execução das aulas virtuais, síncronas e assíncronas. De certa forma, o que se tem, com mais de 15 anos em execução, é Educação Híbrida, e também já é um trabalho em rede, já que o material é disponibilizado e veiculado para todas as escolas que compõem a rede estadual de Educação.
O conceito de Educação Híbrida preconizado pela Resolução nº 2/2024 do CNE/SEB é, basicamente, "novo", trazendo uma concepção que amplia o olhar sobre o que já vinha sendo implementado no Brasil, com exemplos e teoria advindos principalmente dos Estados Unidos. Evidentemente, não podemos dizer que o conceito anterior está equivocado, mas podemos dizer que são visões epistemológicas distintas, com paradigmas próprios. E o que tenho reconhecido em cada visita a um novo Núcleo é que estamos vivenciando um momento de mistura de conceitos.
O Núcleo em Salvador está basicamente pronto para ser utilizado por professores, equipes técnicas e alunos. Nas entrevistas que realizamos há uma expectativa de que as atividades possam ir além do que já é realizado nos estúdios do Emitec. Mas observei também que a própria proposta da RIEH e o conceito de Educação Híbrida já estão mobilizando as pessoas envolvidas, seja para que revejam e aprimorem suas práticas, seja para que busquem novos espaços e tempos de formação continuada.
Retornando para Maceió, posso dizer que há uma visão que precisa ser articulada estrategicamente. As estruturas burocráticas que temos em cada território ainda são um desafio a vencer. Reconhecer talvez seja o primeiro passo. A RIEH nasce em cada território também com suas próprias experiências, com as pessoas que estão sendo engajadas. E isso exige também sistematização do que se faz e do que se quer fazer.
Seguimos, aprendendo.
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