domingo, 15 de março de 2026

Educação digital: da BNCC à sala de aula – o que precisamos saber?

Nesta semana terei a alegria de participar de mais um momento de diálogo com educadores da educação básica. No próximo dia 19 de março, às 10h, estarei em São Sebastião (AL) para ministrar a palestra “Educação digital: da BNCC à sala de aula – o que precisamos saber?”.

A atividade integra uma ação formativa promovida pela Secretaria Municipal de Educação de São Sebastião, reunindo professores, gestores escolares, coordenadores pedagógicos, técnicos educacionais e equipes multiprofissionais da rede municipal. O encontro será realizado na Quadra da EMED Vereador Expedito Porfírio dos Santos e terá duração de duas horas.

A proposta da palestra é discutir como a educação digital, prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), pode ser compreendida e efetivamente incorporada às práticas pedagógicas do cotidiano escolar. Mais do que o uso de tecnologias, trata-se de refletir sobre competências digitais, cultura digital, pensamento crítico, ética e participação ativa dos estudantes em uma sociedade cada vez mais conectada.

Durante o encontro, abordaremos temas como:

a) o que a BNCC propõe em relação à cultura digital;

b) os desafios da integração pedagógica das tecnologias nas escolas;

c) possibilidades de uso significativo das tecnologias digitais no processo de ensino e aprendizagem; e

d) o papel dos professores e das equipes pedagógicas na formação de estudantes críticos, criativos e responsáveis no ambiente digital.

Eventos formativos como este são fundamentais para fortalecer o diálogo entre universidade, pesquisa e escola básica, contribuindo para que a transformação digital na educação ocorra de forma crítica, contextualizada e comprometida com a aprendizagem dos estudantes.

Agradeço à equipe da Secretaria Municipal de Educação de São Sebastião pelo convite e pela iniciativa de promover momentos de formação continuada para seus profissionais.

Será uma grande satisfação compartilhar reflexões, experiências e caminhos possíveis para pensarmos juntos a educação digital no contexto da escola contemporânea.

sábado, 14 de março de 2026

Ufal no fortalecimento da Política Nacional do Ensino Médio

 


Na quinta e sexta da semana passada tive a oportunidade de participar de um importante momento de formação e diálogo no âmbito da política educacional brasileira: o Encontro de Formação de Coordenadores do GEPEM – Curso de Especialização em Gestão da Escola Pública de Ensino Médio, realizado em Brasília, reunindo representantes de diferentes instituições e estados do país. 

O evento integrou as ações da Política Nacional de Ensino Médio (PNAEM) e teve como objetivo fortalecer o curso de especialização voltado à formação de gestores das escolas públicas de ensino médio, promovendo reflexões sobre gestão pedagógica, avaliação da aprendizagem, permanência na educação a distância, além da articulação entre sistemas acadêmicos e administrativos que sustentam a oferta do curso. 

Foi uma grande satisfação estar presente nesse encontro, contribuindo com as discussões e representando a Coordenadoria Institucional de Educação a Distância da UFAL (Cied/Ufal). Momentos como esse são fundamentais para o fortalecimento das redes de colaboração entre universidades, MEC, CAPES e sistemas estaduais de ensino, consolidando uma perspectiva de cooperação interfederativa voltada à melhoria da gestão educacional no país.

Participar de uma ação estratégica como essa é extremamente positivo, pois evidencia o compromisso coletivo com a formação qualificada de gestores escolares, elemento central para o desenvolvimento de políticas educacionais que impactem de forma efetiva a qualidade do ensino médio público no Brasil.

Além das mesas temáticas e dos relatos de experiências dos diferentes estados, o encontro também possibilitou ricas trocas entre as equipes responsáveis pela implementação do GEPEM nos territórios, permitindo compartilhar desafios, estratégias e boas práticas na formação de gestores escolares. 

Seguimos, assim, fortalecendo iniciativas que contribuem para a qualificação da gestão educacional e para o aprimoramento das políticas públicas voltadas ao ensino médio, reafirmando o papel das universidades públicas na formação de profissionais e no desenvolvimento de projetos estratégicos para a educação brasileira.

domingo, 8 de março de 2026

Gamificação, narrativa e fluxo: começando uma jornada em Hogwarts na Pedagogia da Ufal

 


Iniciar uma disciplina é sempre um momento especial. Há expectativas, curiosidade e também o desafio de criar um ambiente de aprendizagem que desperte o interesse dos estudantes desde o primeiro encontro. Neste semestre, ao planejar junto com a profa. Me. Débora Letícia (que está realizando seu estágio docente) a disciplina Tecnologias Digitais na Educação, ofertada para estudantes do 1º período do curso de Pedagogia da Ufal, buscamos estruturar a experiência a partir do conceito de gamificação. Como discutido em um texto anterior deste blog, gamificar não significa simplesmente usar jogos, mas sim incorporar elementos típicos do design de jogos, tais como narrativa, desafios, regras claras, feedback, cooperação e progressão, para promover engajamento e aprendizagem significativa. 

A proposta da disciplina foi construída a partir de uma metodologia ramificada, em que os estudantes fazem escolhas ao longo do percurso formativo, gerando diferentes caminhos possíveis de aprendizagem. Para sustentar essa dinâmica, escolhemos como narrativa central o universo do filme Harry Potter e o Cálice de Fogo. Inspirados pelo Torneio Tribruxo, cada atividade funciona como uma missão ou desafio que convida os estudantes a investigar, experimentar tecnologias e refletir sobre seus usos pedagógicos. A narrativa não é apenas um elemento lúdico: ela funciona como um fio condutor que dá sentido às atividades e ajuda a criar um contexto imersivo para o desenvolvimento das aprendizagens.

Esse tipo de abordagem dialoga diretamente com a Teoria do Flow (Fluxo), desenvolvida por Mihaly Csikszentmihalyi. Segundo o autor, o estado de fluxo ocorre quando uma pessoa está totalmente envolvida em uma atividade, com alto nível de concentração, sensação de controle e percepção alterada do tempo. Esse estado tende a surgir quando há equilíbrio entre o nível de desafio e as habilidades do participante, acompanhado de objetivos claros e feedback imediato. Em contextos educacionais, a gamificação pode favorecer essa experiência ao estruturar tarefas progressivas, oferecer retorno constante e estimular a participação ativa dos estudantes.

No primeiro encontro da disciplina, já foi possível perceber sinais interessantes desse processo. A curiosidade sobre a narrativa, a expectativa em relação às próximas missões e a colaboração entre os estudantes para compreender as atividades indicam que a turma começa a se envolver com a proposta. Naturalmente, ainda estamos no início da jornada (como qualquer aventura em Hogwarts), mas a experiência reforça a ideia de que o planejamento pedagógico pode se beneficiar muito de abordagens que integrem narrativa, desafio e participação ativa.

Mais do que “jogar”, a intenção é criar uma experiência de aprendizagem significativa, em que os estudantes compreendam criticamente o papel das tecnologias digitais na educação. Ao mesmo tempo em que vivenciam uma proposta gamificada, eles também são convidados a analisá-la, refletindo sobre seus fundamentos pedagógicos e suas possibilidades de aplicação na educação básica. Assim, a própria disciplina torna-se também um objeto de estudo.

Seguimos agora para os próximos desafios do nosso “Torneio Tribruxo pedagógico”. E, como diria Alvo Dumbledore, “são as escolhas que mostram quem realmente somos”. Nesta disciplina, esperamos que cada escolha feita pelos estudantes os ajude a construir caminhos criativos para pensar as tecnologias digitais na educação.

sexta-feira, 6 de março de 2026

O método cartográfico na pesquisa em educação: o pesquisador como parte do processo


Quando falamos em método cartográfico na pesquisa em educação ou ensino, estamos nos referindo a uma perspectiva metodológica que rompe com a ideia tradicional de um pesquisador distante, neutro e externo ao fenômeno que investiga. A cartografia parte de outra compreensão: pesquisar é acompanhar processos em movimento, e nesse percurso o pesquisador está implicado no campo que observa. Ele não apenas descreve uma realidade já dada, mas participa das dinâmicas que constituem o próprio fenômeno investigado.

O método cartográfico propõe que a pesquisa seja entendida como um processo de acompanhamento de trajetórias, relações e transformações. A metáfora da cartografia ajuda a compreender essa ideia: um mapa não é apenas uma representação estática de um território; ele pode também registrar percursos, deslocamentos, encontros e mudanças. Cartografar, nesse sentido, significa acompanhar a produção da realidade enquanto ela acontece.

Na pesquisa educacional, essa abordagem torna-se particularmente relevante porque os processos educativos são dinâmicos, complexos e profundamente atravessados por relações sociais, culturais e tecnológicas. Práticas pedagógicas, experiências de aprendizagem, políticas educacionais e processos de inovação não se desenvolvem de forma linear ou estável. Eles se transformam continuamente, influenciados por contextos institucionais, pelas interações entre sujeitos e pelas condições históricas e culturais em que se inserem. A cartografia permite acompanhar essas transformações sem reduzi-las a categorias previamente fixadas.

Um dos elementos centrais dessa abordagem é a compreensão do pesquisador como participante do processo investigado. Diferentemente de metodologias que enfatizam o distanciamento como condição para a objetividade científica, a cartografia reconhece que o pesquisador está sempre implicado na produção do conhecimento. Ao entrar no campo de pesquisa, ao dialogar com os sujeitos, ao observar práticas e registrar experiências, ele passa a fazer parte da rede de relações que constitui o objeto de estudo.

Essa implicação não significa perder o rigor científico. Pelo contrário, exige um exercício constante de reflexividade. O pesquisador precisa reconhecer sua presença no campo, compreender como suas ações, perguntas e interpretações atravessam a pesquisa e registrar esses movimentos como parte do próprio processo investigativo. A produção do conhecimento torna-se, assim, um processo compartilhado, construído nas interações entre pesquisador e participantes.

Nesse contexto, surge também a noção de intervenção, que é um conceito importante na pesquisa cartográfica. Intervir, nessa perspectiva, não significa necessariamente implementar uma ação planejada para modificar diretamente a realidade pesquisada, como ocorre em algumas abordagens de pesquisa-ação. A intervenção ocorre porque a própria presença do pesquisador no campo produz efeitos. Ao acompanhar práticas, formular questões, promover conversas e registrar experiências, o pesquisador contribui para tornar visíveis processos que muitas vezes permanecem implícitos ou naturalizados no cotidiano.

A intervenção acontece, portanto, no plano da produção de sentidos e da reflexão sobre a prática. Quando professores, estudantes ou gestores participam de uma pesquisa cartográfica, muitas vezes passam a refletir sobre suas próprias experiências de forma mais consciente. O diálogo com o pesquisador pode provocar novas perguntas, revelar tensões ou abrir possibilidades de transformação nas práticas educativas. Nesse sentido, a pesquisa não apenas observa a realidade educacional, mas também participa da sua problematização.

Outro aspecto importante da cartografia está na forma de narrar e registrar a pesquisa. A escrita cartográfica procura acompanhar o movimento do campo, descrevendo trajetórias, situações, encontros e processos de transformação. Em vez de apresentar apenas resultados finais organizados em categorias rígidas, o texto busca revelar o percurso da investigação. O relato do processo, das dúvidas, das descobertas e das inflexões torna-se parte fundamental da produção de conhecimento.

Essa forma de escrever também expressa uma compreensão de que o conhecimento não está totalmente definido no início da pesquisa. Ele emerge ao longo do caminho, à medida que o pesquisador se envolve com o campo e acompanha os processos que se desenvolvem nele. A cartografia, nesse sentido, convida o pesquisador a adotar uma postura de abertura e atenção aos acontecimentos que surgem durante a investigação.

Na pesquisa em educação, essa perspectiva metodológica tem se mostrado particularmente potente para investigar fenômenos contemporâneos, como processos de inovação pedagógica, educação híbrida, cultura digital, formação docente em rede e transformação das práticas de ensino e aprendizagem. Esses fenômenos não podem ser compreendidos apenas por meio de recortes estáticos da realidade. Eles exigem metodologias capazes de acompanhar fluxos, relações e processos em constante mudança.

Cartografar a educação significa, portanto, aceitar que pesquisar é também percorrer caminhos, construir mapas provisórios e reconhecer que o conhecimento se produz no movimento. O pesquisador deixa de ser apenas um observador externo e passa a ser também um sujeito que caminha pelo território investigado, registrando as marcas desse percurso e contribuindo para tornar visíveis os processos que atravessam a experiência educativa.

domingo, 1 de março de 2026

Tecnologias Digitais e Educação: início de duas jornadas formativas


Março chegou.

Há algo de simbólico nesse início de mês. Março carrega consigo a sensação de recomeço, de planejamento renovado, de agendas que ganham ritmo e de projetos que começam a tomar forma concreta. E, para mim, este março começa com o som inconfundível de salas de aula sendo inauguradas, ainda que híbridas, digitais, atravessadas por telas, plataformas e múltiplas linguagens.

Amanhã inicio as aulas com uma turma de graduação em Pedagogia. Começamos juntos uma jornada de reflexão sobre a relação entre as tecnologias digitais e a educação. Não se trata apenas de falar sobre ferramentas, aplicativos ou plataformas, mas de compreender criticamente como as tecnologias reconfiguram práticas pedagógicas, tempos escolares, modos de aprender e de ensinar. São estudantes que estão iniciando suas trilhas formativas, verdadeiras “feras” em construção, descobrindo a complexidade e a potência da docência em um mundo profundamente mediado pelo digital.

Também amanhã começo as aulas com uma nova turma de mestrandos e doutorandos. Com eles, o movimento é outro, igualmente instigante. Aprofundaremos conceitos, tensionaremos definições, revisitaremos autores, problematizaremos discursos. Discutiremos tecnologia não apenas como instrumento, mas como fenômeno cultural, político, epistemológico. Pensaremos sua relação com as práticas de ensino na contemporaneidade, suas implicações éticas, seus impactos na produção do conhecimento e na formação humana. São novos aspirantes da pesquisa, iniciando suas trilhas investigativas, abrindo caminhos próprios no território da ciência.

Duas turmas. Dois momentos formativos. Duas perspectivas distintas, mas atravessadas por um mesmo eixo: compreender criticamente a tecnologia em sua relação com a educação.

O que nos espera?

Talvez inquietações. Talvez desconstruções. Talvez encantamentos. Certamente perguntas — muitas perguntas. Como formar professores em uma cultura digital? Como pesquisar tecnologia para além do entusiasmo acrítico ou do medo paralisante? Como construir práticas pedagógicas que façam sentido em um tempo de rápidas transformações?

Março começa, portanto, como convite. Convite ao diálogo, à escuta, à construção coletiva. Convite para que a graduação descubra fundamentos e possibilidades. Convite para que a pós-graduação refine conceitos e amplie horizontes teóricos.

Ambas as turmas estão no início de suas trilhas de aprendizagem. E eu também. Porque a cada nova turma, a cada novo semestre, reaprendo o ofício de ensinar.

Que venham as perguntas. Que venham os debates. Que venham as descobertas.

Março começou. E com ele, novas histórias começam a ser escritas.