domingo, 1 de fevereiro de 2026

Educar em tempos de mudanças: escola, família e o desenvolvimento integral

Ontem tive a alegria de retornar ao Colégio Saint Germain para ministrar a palestra “Educar em tempos de mudanças: escola, família e o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes”. 

Voltar a esse espaço é sempre especial. Não apenas pelo ambiente educativo que ele representa, mas por tudo o que me recorda do amigo Aurélio, cuja presença, história e compromisso com a educação seguem vivos na memória e no afeto. Estar ali é, de algum modo, reencontrar valores, pessoas e sentidos que ajudaram a moldar minha própria trajetória.

A palestra partiu de uma constatação simples e, ao mesmo tempo, profunda: não estamos educando em um mundo mais difícil, mas em um mundo diferente. Um mundo acelerado, marcado pelo excesso de informação, pela presença intensa das tecnologias, pelo aumento da ansiedade e pela exposição cada vez mais precoce de crianças e adolescentes a desafios que antes pertenciam ao universo adulto. Muitas vezes, seguimos educando com referências do passado para responder a questões do presente.

Nesse contexto, destaquei que educar não é apenas transmitir conteúdos, mas formar pessoas em sua integralidade. O desenvolvimento humano envolve dimensões cognitivas, emocionais, sociais e éticas, e nenhuma delas se sustenta sem vínculo. Aprender exige afeto, escuta, tempo e presença. Escola e família têm um papel decisivo na construção desses vínculos, especialmente quando reconhecem que cada criança e adolescente tem seu próprio ritmo, sua singularidade e seu modo de estar no mundo.

Falamos também sobre a adolescência como travessia, não como problema. Um período marcado por emoções intensas, busca de pertencimento e, muitas vezes, dificuldade de diálogo. Reforcei que o maior risco não está no conflito, mas no silêncio. Nem sempre o adolescente precisa de conselhos; quase sempre precisa de presença. Por isso, escola e família devem atuar como redes de proteção, não como instâncias opostas.

Outro ponto central foi a ideia de que educar é relação. Crianças não precisam de adultos perfeitos, mas de adultos coerentes. Em tempos instáveis, adultos (pais, mães, professores e educadores) são chamados a ser porto seguro: oferecendo limites claros, rotinas possíveis, presença afetiva e, sobretudo, exemplo. Educar não é controlar, é orientar.

Encerramos com uma reflexão que atravessou toda a conversa: que tipo de adulto queremos ajudar nossas crianças e adolescentes a se tornarem? Em um mundo de tantas incertezas, educar exige menos certezas prontas e mais presença verdadeira.

Fica meu agradecimento ao Colégio Saint Germain pelo acolhimento e pela oportunidade de diálogo. Voltar a esse espaço, carregado de histórias e memórias, foi também um gesto de gratidão à educação, às pessoas que marcaram esse caminho e, de modo muito especial, ao amigo Aurélio, que segue inspirando, mesmo na ausência.


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